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ex-auditor preso em SP desviou R$ 1,74 bi em créditos federais

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Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal detido desde agosto, é acusado de liderar um esquema milionário de corrupção na Secretaria da Fazenda de São Paulo que ultrapassou os limites estaduais.

De acordo com um relatório recente da Receita Federal e do Ministério da Fazenda, Neto e seu grupo geraram, a partir de 2021, 3.216 declarações para compensações tributárias federais, eliminando R$ 1,74 bilhão em impostos como PIS e Cofins para as empresas envolvidas.

O documento ressalta que o grupo agiu com plena consciência das fraudes cometidas contra o sistema tributário, buscando enriquecimento ilícito às custas do patrimônio público.

Na esfera estadual, Artur foi preso com outros envolvidos, incluindo Sidney Oliveira, proprietário da Ultrafarma, o diretor da Fast Shop, Mário Otávio Gomes, e o empresário Celso Eder Gonzaga de Araújo, considerado cúmplice de Neto.

Apenas o ex-auditor permanece preso em regime fechado. No esquema estadual, os acusados movimentaram mais de R$ 1 bilhão em propinas, enquanto outras empresas também são investigadas pelo Ministério Público.

A Ultrafarma e a Fast Shop foram beneficiadas com créditos tributários milionários, com valores de R$ 121 milhões e R$ 2,7 milhões, respectivamente. O grupo liderado por Neto recebia comissões entre 20% e 30% do total ressarcido conforme acordos firmados.

A Fast Shop informou que desconhece o valor mencionado no relatório, mas que colabora com as autoridades. A Ultrafarma também declarou estar colaborando com as investigações e esclarecendo os fatos.

Em agosto, documentos revelaram planos de Neto para expandir nacionalmente seu esquema, incluindo contratos com a Ultrafarma por meio da Providence Consultoria Tributária Digital.

O grupo prometia reduções de riscos e análises de créditos junto à Receita Federal, apesar dos montantes federais não serem facilmente liberados. Para maximizar ganhos, usavam softwares especiais e valorizavam uma diferença entre créditos previstos e reais chamada pelo ex-auditor de “minério”.

Artur Gomes da Silva Neto tentou firmar um acordo de delação premiada com o Ministério Público paulista, mas foi recusado por omissão de informações sobre R$ 100 milhões em criptomoedas. Procurado via seus advogados, não apresentou resposta.

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