Brasil
Cientistas descobrem como bactéria resistente age em produtos Ypê
Uma equipe internacional de cientistas fez uma descoberta significativa sobre como a bactéria Pseudomonas aeruginosa, encontrada em produtos da marca Ypê proibidos pela Anvisa no Brasil, consegue resistir a tratamentos médicos.
Essa bactéria é conhecida por causar infecções em hospitais e é considerada uma das mais perigosas do mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS), devido à sua forte resistência a medicamentos. Ela possui uma membrana externa que a protege contra vários remédios, incluindo a penicilina.
No estudo recente, liderado pelo Instituto de Química Física do CSIC da Espanha e pela Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, os pesquisadores descobriram o método que a P. aeruginosa usa para fixar sua membrana à parede celular, o que fortalece sua defesa natural.
Os pesquisadores explicam que a bactéria utiliza um tipo de ‘rebite molecular’ para unir essas duas estruturas e formar uma barreira duplamente resistente. Usando técnicas avançadas de cristalografia de raios X, eles identificaram a proteína PA2854 como responsável por esse processo.
Ao bloquear essa proteína em experimentos laboratoriais, a equipe conseguiu enfraquecer a estrutura da bactéria, tornando-a mais suscetível aos tratamentos médicos.
Como esse mecanismo também é comum em outras bactérias Gram-negativas, essa descoberta abre caminho para a criação de novas terapias para combater infecções causadas por essas bactérias.
A Pseudomonas aeruginosa é encontrada no solo, água e locais úmidos, e seu biofilme protege-a contra produtos de limpeza, como vimos no caso dos produtos Ypê. Ela pode causar desde doenças leves, como otites, até infecções graves, como pneumonia.
A resistência das bactérias aos antibióticos é uma das principais preocupações de saúde pública atualmente. Por causa do uso excessivo de medicamentos e contaminação ambiental, surgiram bactérias multirresistentes chamadas superbactérias, que dificultam tratamentos e causam milhões de mortes no mundo.
Essa pesquisa, conduzida pelo IQF-CSIC e pela Universidade de Notre Dame, avança na busca por novas formas de enfraquecer essas superbactérias Gram-negativas e aumentar a eficiência dos antibióticos, trazendo esperança para o combate a essas ameaças à saúde global.

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