Brasil
Justiça mantém prisões de entregadores envolvidos na morte de ciclista no Rio
A Justiça do Rio confirmou, em audiência de custódia neste domingo à tarde, a manutenção das prisões temporárias dos entregadores de aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva. Eles são acusados de envolvimento no espancamento que causou a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, 37 anos, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. No dia anterior, a Justiça já havia mantido as prisões temporárias de outros dois suspeitos, os vigilantes de rua Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias. Todos se encontram detidos no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte da cidade.
A decisão do juiz Rafael de Almeida Rezende, da Central de Audiência de Custódia da Capital, considerou que os mandados de prisão foram expedidos conforme a lei e continuam válidos. A audiência de custódia não julga o crime em si nem analisa as provas, mas verifica a legalidade da prisão e o respeito aos direitos do detido, além da necessidade de manter a prisão.
O advogado da família da vítima, Bryan Rojenberg, comentou que respeita a decisão judicial, destaca a importância de continuar as investigações e espera que, ao final do inquérito policial, as condutas sejam individualizadas e que o Ministério Público e o Judiciário analisem a conversão das prisões temporárias em preventivas, caso os requisitos legais estejam presentes.
O episódio ocorreu na noite do dia 11, quando Cláudio Rafael, que sofria de transtornos psicológicos, foi agredido por nove minutos pelos vigilantes e entregadores após ser falsamente acusado de roubar uma bicicleta. Os agressores pensaram que a bicicleta era produto de furto, mas na verdade pertencia a irmã da vítima. Cláudio foi atingido por chutes e 57 golpes de cassetete. Após agonizar por meia hora, foi levado pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas faleceu nas primeiras horas do dia 12.
O principal agressor, Davi Santos Machado, que exercia vigilância clandestina na rua, chegou a filmar o espancamento enquanto atacava Cláudio com um cassetete. As imagens foram compartilhadas em um grupo de conversa de aplicativo usado por entregadores. O outro vigilante é suspeito de participação indireta ao remover a bicicleta do local onde o ciclista foi agredido inicialmente.
Os quatro envolvidos foram indiciados por homicídio qualificado, com agravantes por meio cruel, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima. A polícia investiga a possível participação de uma quinta pessoa no crime, vista usando um casaco cinza listrado no segundo momento do espancamento, que foi registrado por uma câmera de segurança.
‘Você vai ficar rindo?’
O segurança Jorge Luiz Ricardo Dias disse à Polícia Civil que tentou impedir as agressões de Davi Santos Machado e questionou seu comportamento. Cláudio estava caído e sem reação enquanto era atacado. Após o ataque, Jorge teria perguntado a seu colega se ele estava satisfeito com o que fez, mas Davi apenas riu.
Jorge relatou que Davi o chamou inicialmente para o local e conhecia os entregadores envolvidos, incentivando a ação agressiva. Quando chegaram ao local, Davi pediu para guardar a bicicleta até o dono chegar, mas Cláudio não permitiu que ela fosse removida, afirmando não ser sua. Diante da recusa, Davi começou a agredir Jorge com socos.
Davi entrou em um bar, pegou um cassetete e golpeou Cláudio. A vítima tentou fugir, mas voltou para buscar a bicicleta e continuou sendo ameaçada e agredida. Jorge afirmou que não participou das agressões e que, embora tenha tentado intervir, não acionou nenhum serviço de emergência ou policial.
Ao final, Jorge confrontou Davi novamente, pedindo que parasse de agredir Cláudio, mas Davi continuou a rir e não respondeu.


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