Economia
Trump diz que Irã está acabando após ameaça do ‘Dia D econômico’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (24) que o Irã “está acabando”, poucas horas antes dos EUA anunciarem um pacote de sanções econômicas contra Teerã, que tem mantido uma postura de desafio.
Após quase seis meses de um conflito liderado pelos EUA, as negociações de paz estão estagnadas e sem previsão de término: o Irã mantém o bloqueio estratégico do Estreito de Ormuz e os Estados Unidos continuam o bloqueio naval contra o país.
Devido à crescente pressão interna causada pelas consequências econômicas da guerra, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando em novembro, Trump substituiu as ameaças militares por uma estratégia focada em sanções econômicas.
“O IRÃ ESTÁ TOTALMENTE ACABANDO!!!”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
No domingo (23), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou no jornal Financial Times que os EUA estão lançando “a maior ofensiva financeira já feita contra um inimigo”, chamando-a de “Dia D econômico”.
Bessent também publicou no X que essa ação vem após os Estados Unidos terem “desmontado as capacidades militares do Irã, destruído quase todas as suas fábricas militares e encerrado seu programa nuclear”.
O secretário do Tesouro deve oferecer mais detalhes sobre essa iniciativa nesta segunda-feira (24), embora ainda não seja claro qual será a próxima etapa da estratégia americana após décadas de sanções.
Apesar da desvalorização da moeda iraniana depois dessas declarações, Teerã rejeitou as ameaças abertamente e lançou um alerta rigoroso para qualquer país que apoiar a iniciativa.
O vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, disse que “essa história não faz sentido”.
“Vocês dizem que o poder militar do Irã foi ‘desmontado’, que 100% de suas fábricas militares foram ‘destruídas’ e que o programa nuclear foi ‘encerrado'”, destacou.
Ele adicionou que essa ação contra o Irã requer o envolvimento de “todas as instituições e poderes” dos EUA, perguntando: “Isso é uma vitória ou um reconhecimento da derrota dos EUA?”
O Ministério das Relações Exteriores do Irã alertou os países para evitarem participar da campanha econômica dos EUA, avisando que aqueles que o fizerem terão que enfrentar “as próprias consequências”.
A moeda iraniana atingiu um recorde histórico de baixa.
Os Estados Unidos e Israel iniciaram o conflito no Oriente Médio com uma série de ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, provocando retaliações em toda a região.
Um cessar-fogo que começou em 8 de abril terminou quase 40 dias de intensos bombardeios, mas o controle do Estreito de Ormuz permanece um ponto crítico.
O Irã controla a rota principal para o transporte de combustíveis desde o início da guerra.
A reabertura do estreito tornou-se uma prioridade para os EUA, mas o Irã insiste que ele continuará fechado até que Washington suspenda o bloqueio sobre os portos iranianos, elimine as sanções ao petróleo e descongele os ativos iranianos no exterior.
Abdolnaser Hemmati, governador do Banco Central do Irã, minimizou a queda significativa da moeda local, dizendo que é um efeito “temporário” causado “principalmente pela propaganda política americana”.
Nesta segunda-feira, o rial estava sendo negociado no mercado paralelo acima de 2 milhões de riais por dólar, contra 1,65 milhão antes do conflito.
Além disso, a economia iraniana sofre com forte queda nas exportações de petróleo devido ao bloqueio naval dos EUA. O volume de petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz caiu de 2 milhões de barris por dia antes do conflito para 0,4 milhão em meados de agosto, de acordo com a consultoria Kpler.
Pressão econômica sem igual
O presidente dos EUA anunciou que Washington intensificará a pressão econômica sobre o Irã para “níveis sem precedentes”.
Os EUA também pressionam outros países, incluindo a China, para se juntarem a esse esforço de isolar ainda mais a economia iraniana.
Em artigo publicado nesta segunda-feira no jornal iraniano Ettela’at, o chanceler Abbas Araghchi afirmou que as relações com a China “se tornaram mais profundas, estruturais e amplas”.
O Irã tem enfrentado sanções americanas e internacionais desde a revolução islâmica de 1979 e considera essa política de sanções um fracasso, insistindo que a pressão econômica e as ameaças não forçarão o país a mudar sua direção.


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