Brasil
Ibovespa sobe com cautela antes das eleições e cenário externo
O Ibovespa inicia o último trimestre do ano em alta, superando a marca de 187 mil pontos, acompanhando o desempenho positivo das bolsas dos Estados Unidos e impulsionado pelo avanço das ações da Petrobras, que se destacou com a valorização do petróleo. Os investidores mantêm o sentimento positivo da véspera, ajustando suas posições na renda variável no penúltimo pregão antes das eleições, mas permanecem cautelosos.
Ao final do dia, o principal índice da B3 avançou 0,46%, alcançando 187.197,46 pontos, após variar entre a máxima de 187.436,73 pontos no início da sessão e a mínima de 184.767,78 pontos no começo da tarde.
Durante o pregão, o Ibovespa recuperou força principalmente devido à valorização das ações da Petrobras. O petróleo Brent, referência para a estatal, retornou ao patamar acima de US$ 100 por barril (US$ 102,31), com alta de 4,37%. O volume financeiro do dia atingiu R$ 26 bilhões e, no ano, o índice já registra alta de 16,2%.
Igor Monteiro, CEO da plataforma de investimentos EqSeed, destaca que “no cenário interno, a proximidade das eleições adiciona incertezas e eleva o prêmio de risco, tornando os ativos locais mais sensíveis a variações externas. Por outro lado, a alta do petróleo trouxe suporte às ações da Petrobras, ajudando a conter a pressão sobre o Ibovespa”.
Daniel Guedine Serafini, sócio fundador e gestor da Performance Invest, comenta que o mercado opera com um aceno aos movimentos recentes, mantendo posições favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL), com a esperança de que a vitória do candidato reforçaria uma agenda fiscal mais rigorosa. Ele ressalta que “notícias relacionadas às eleições impactam todos os mercados, qualquer novidade altera o cenário, então há otimismo, porém acompanhado de muita cautela”.
Apesar da valorização do petróleo favorecer a Petrobras, o ambiente internacional reforça a prudência dos investidores, pois o aumento dos preços das commodities pode pressionar a inflação global, sustentando políticas monetárias mais restritivas nos países desenvolvidos e trazendo incertezas sobre a trajetória da taxa Selic.
Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, prevê uma segunda-feira com alta volatilidade, dependendo dos resultados eleitorais e da composição do Congresso, seja um predomínio mais à direita ou à esquerda. Até lá, o ambiente permanece marcado pela cautela, com dólar e juros refletindo o prêmio de risco.
A estratégia recomendada pelo BTG Pactual para seus clientes reforça essa visão cautelosa. Um relatório recente do banco aponta que o cenário requer maior prudência devido à combinação de um ambiente externo mais desafiador para mercados emergentes e uma perspectiva incerta para os ativos domésticos nos próximos meses, sobretudo diante da política fiscal futura.


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