Brasil
Urna eletrônica: 30 anos modernizando as eleições no Brasil
Os jovens atualmente não vivenciaram o tempo em que os eleitores iam até a seção de votação para receber uma cédula com nomes dos candidatos, marcar as opções com caneta e depositar a cédula dobrada em uma urna de lona. Após o período de votação, era necessário aguardar dias para conhecer quem seriam os vencedores para cargos como deputados, senadores, governadores e presidente da República. Em 2026, celebra-se três décadas da maior transformação eleitoral do Brasil, a adoção da urna eletrônica.
É justo afirmar que a urna eletrônica é um motivo de orgulho nacional, pois enquanto muitos países desenvolvidos ainda dependem do voto em papel e esperam vários dias pelos resultados, o Brasil obtém os resultados no mesmo dia, em poucas horas, graças a um sistema eletrônico seguro, conforme atesta o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao longo das décadas de votação em cédulas, surgiram várias vulnerabilidades, como a apuração manual que levava dias e possibilitava fraudes. Uma das fraudes conhecidas era a chamada “urna grávida”, quando cédulas já preenchidas eram inseridas nas urnas antes do início da votação.
A revolução na Justiça Eleitoral começou em 1995 com a colaboração de especialistas de diversos órgãos, incluindo as Forças Armadas, Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério das Comunicações, para desenvolver a urna eletrônica.
A urna eletrônica foi introduzida nas eleições municipais de 1996, chamada oficialmente de Coletor Eletrônico de Votos (CEV), embora esse nome não seja amplamente utilizado. Em 1996, o uso foi parcial e experimental. Desde as eleições municipais de 2000, o voto eletrônico é obrigatório para todos os eleitores do país.
Com o passar dos anos, a urna eletrônica passou por várias atualizações que aumentaram sua segurança e facilitaram o uso pelo eleitor. Em 1998, incorporou a exibição da foto dos candidatos; em 2002, foram implementadas a cerimônia pública de lacração dos sistemas e o teste de integridade; em 2004, os códigos-fonte passaram a ser auditados; em 2006, iniciou-se a identificação biométrica, que foi ampliada posteriormente; em 2022, a capacidade de processamento foi ampliada 18 vezes e o terminal do mesário ganhou tela sensível ao toque.
Em 2026, na comemoração dos 30 anos da urna eletrônica, o sistema continua inovando. A tela exibirá um intérprete de Libras para indicar voto nulo, branco, a legenda e uma barra que mostra o progresso da votação. Além disso, a urna informará ao eleitor a quantidade esperada de dígitos para cada cargo, acompanhado do progresso da votação.
Segurança
Em outubro de 2025, um ano antes das eleições, o TSE liberou o acesso ao código-fonte para conferência pelas instituições qualificadas, como partidos políticos, Polícia Federal e Ministério Público. Essas inspeções foram realizadas até setembro, quando houve a lacração dos sistemas eleitorais.
O processo de votação é auditado exaustivamente, passando por mais de quarenta etapas de verificação antes, durante e depois das eleições. A fiscalização da urna ocorre em vários momentos, desde a abertura do código-fonte, testes públicos de segurança, testes de integridade, registro digital do voto (RDV), boletim de urna até a publicação dos resultados na internet.
Um ponto crucial é que a urna eletrônica não está conectada à internet nem possui conexões via bluetooth ou wi-fi, afastando a possibilidade de ataques hackers ou fraudes digitais. Ao final da votação, os dados são armazenados em mídia com criptografia e assinatura digital, e são emitidos boletins de urna que registram oficialmente os resultados daquela seção eleitoral. Essas informações são transmitidas por uma rede exclusiva da Justiça Federal, permitindo a conferência da integridade dos dados entre o boletim e o sistema de totalização.
Em seus 30 anos de existência, a Justiça Eleitoral brasileira não registrou nenhuma fraude comprovada na utilização da urna eletrônica.
Adoção em outros países
O Brasil não é o único país a utilizar tecnologia para a apuração dos votos. Pelo menos 34 países já implementaram sistemas eletrônicos de votação, dos quais 17 utilizam urnas eletrônicas em diferentes graus. Países como França, Bulgária, Índia, Peru, México e alguns estados dos Estados Unidos estão entre os que adotam esses sistemas.


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