Centro-Oeste
Hospital de Base faz primeiro transplante de medula óssea no DF
Um procedimento inédito no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) abriu novas perspectivas para pacientes com cânceres do sangue atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O transplante autólogo de medula óssea, realizado pela primeira vez em 8 de outubro, representa um avanço considerável na oferta de tratamentos de alta complexidade na rede pública.
Carlos França Pereira, comerciante de 54 anos, teve sua vida profundamente transformada por este procedimento. O diagnóstico de mieloma múltiplo, um tipo difícil de câncer da medula óssea, apareceu após dores contínuas no ombro direito durante um treino. O medo inicial deu espaço para esperança quando ele pôde se submeter ao transplante no próprio hospital onde faz acompanhamento.
A cirurgia envolveu a coleta de células-tronco do sangue do paciente, aplicação de quimioterapia intensa e reinfusão dessas células, tudo sem a necessidade de intervenção cirúrgica tradicional. O período pós-transplante exigiu isolamento e cuidados rigorosos para garantir a recuperação das defesas do organismo.
O esforço para a realização desse procedimento foi grande. Sob a liderança do médico Alexandre Caio e da chefe do Serviço de Hematologia, Hemoterapia e Transplante de Medula Óssea, Laura Ferreira de Mesquita Ferraz, a equipe multidisciplinar aprimorou a infraestrutura e processos para assegurar segurança e eficiência, cumprindo todas as exigências técnicas do Ministério da Saúde.
Este avanço representa um salto de qualidade para o HBDF, que agora pode oferecer tratamento imediato e personalizado, reduzindo a espera que antes podia durar meses ao direcionar os pacientes para outros centros especializados. O hospital planeja realizar de dois a quatro transplantes por mês inicialmente, beneficiando pacientes com mieloma múltiplo e alguns tipos de linfoma.
O impacto do transplante para Carlos vai muito além do aspecto clínico. Ele compartilha a mudança de perspectiva que viveu: “Estou pensando em mudar minha vida, prestar atenção nos mínimos detalhes e fazer só coisas boas, para que coisas boas fiquem perto de mim”. Sua alta, após 15 dias de internação sem complicações graves, marcou o início de uma nova etapa para ele e para o sistema de saúde pública do Distrito Federal.
O Hospital de Base planeja expandir seus serviços com a introdução futura do transplante alogênico, que utiliza células-tronco de doadores, ampliando ainda mais as opções para pacientes que necessitam dessa intervenção.
Este feito traz esperança renovada e melhora substancial na assistência hematológica da região, simbolizando a dedicação e a qualidade no cuidado prestado aos pacientes.


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