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Alepe discute riscos da tilápia importada do Vietnã para produção local
A Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou uma audiência pública na última quinta-feira (7) para debater os possíveis impactos da importação da tilápia vinda do Vietnã na produção estadual de pescado. O evento foi realizado no Auditório Sérgio Guerra e contou com a participação de representantes do setor aquícola, órgãos sanitários, parlamentares e produtores.
O presidente da comissão, deputado estadual Luciano Duque, destacou os riscos sanitários e econômicos relacionados à chegada do pescado importado ao Brasil. Segundo ele, estudos técnicos indicam que o Vietnã é uma região onde circula o vírus TiLV, conhecido como Vírus do Lago da Tilápia, que causa alta mortalidade em criatórios.
“Estamos focados na proteção da produção nacional, na preservação de empregos e na necessidade de prevenção diante dessa ameaça sanitária significativa. Muitas famílias pernambucanas dependem da piscicultura para seu sustento”, afirmou o parlamentar.
Durante o debate, Luciano Duque ressaltou o Projeto de Lei Ordinária nº 4052/2026, de sua autoria, que estabelece normas para origem, rastreabilidade e padrões sanitários na comercialização da tilápia importada em Pernambuco.
De acordo com o deputado, a proposta não tem como objetivo impedir as importações, mas sim garantir maior controle dos aspectos sanitários e proporcionar transparência ao consumidor.
Moshe Dayan, presidente da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro), informou que o vírus TiLV já foi detectado em 16 países e quatro continentes, incluindo a Colômbia. Embora não ofereça risco à saúde humana, a doença pode causar perdas superiores a 80% nos criatórios infectados.
Ele salientou que a proibição da importação cabe ao Ministério da Agricultura, mas Pernambuco pode implementar restrições relacionadas ao transporte e comercialização do produto dentro do estado.
Geraldo Cosentino, representante da indústria do pescado, alertou sobre os impactos econômicos que tais restrições poderiam causar na cadeia produtiva nacional. O setor brasileiro segue rigorosos protocolos sanitários e preocupa-se com a falta de clareza quanto ao controle do pescado importado.
A deputada estadual Débora Almeida também expressou sua preocupação em relação à capacidade de resposta do país diante de uma possível disseminação do vírus na piscicultura brasileira.
Participaram ainda da audiência os deputados estaduais Fabrizio Ferraz, Henrique Queiroz Filho e Abimael Santos, além de representantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Federação da Agricultura e Pecuária de Pernambuco (Faepe), Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), produtores e a Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura.
Ao término do encontro, todos os presentes defenderam a intensificação da fiscalização sanitária, a implementação de mecanismos de rastreabilidade e ações preventivas para garantir a proteção da piscicultura em Pernambuco e no Brasil.

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