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Economia

Banco de Edir Macedo transfere carteira podre e oculta prejuízo

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O banco Digimais, pertencente ao bispo Edir Macedo – que enfrenta crise e está à venda há mais de um ano -, utilizou uma estratégia com fundos de investimento para melhorar artificialmente seu balanço e esconder perdas bilionárias. Documentos obtidos pelo Estadão e analisados por especialistas revelam que o banco removeu de suas demonstrações financeiras carteiras de financiamentos com inadimplência superior a centenas de milhões de reais. Além disso, vendeu precatórios difíceis de serem pagos para a própria holding de Edir Macedo, em uma transação que causou preocupação entre auditores.

O Digimais é um banco pouco conhecido pelo público geral, sem agências físicas e sem possibilidade de realizar transações via Pix atualmente. Até 2020, era conhecido como Banco Renner, em homenagem à família fundadora das Lojas Renner. Edir Macedo passou a ser acionista em 2009 e comprou o banco naquele mesmo ano, que foi renomeado Digimais. Sua principal carteira é de financiamento de veículos, embora também tenha crescimento na área de créditos consignados.

Nos últimos dias, a reportagem teve acesso a auditorias, processos judiciais, contratos e outros documentos que mostram a criação e uso desses fundos de investimento, dos quais o próprio Digimais é cotista. Pessoas ligadas à Igreja Universal, sob anonimato, afirmaram que o banco usa esses fundos para mascarar severos problemas financeiros.

Especialistas e agentes do mercado financeiro classificaram algumas dessas operações como de alto risco regulatório e com sinal vermelho em alerta. A Polícia Federal investiga o banco sob suspeita de fraudes. Nem o Digimais nem a Igreja Universal quiseram se pronunciar.

Com essas operações envolvendo os fundos, o banco declarou lucro de R$ 31 milhões no final de 2025. Essa manobra permitiu que o banco não declarasse pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, que deveriam reduzir o resultado financeiro apresentado.

Os números podem ser ainda maiores. O banco possui saldo total de R$ 3 bilhões em fundos de investimento que não puderam ser auditados oficialmente devido à ausência de acesso dos auditores a documentos essenciais para comprovar os dados financeiros. Este valor representa cerca de 75% dos investimentos do banco nesse tipo de fundo.

O aspecto mais notável é que o Digimais é cotista desses fundos, atuando em ambas as pontas das operações financeiras – uma prática conhecida no mercado como “péssima negociação entre as mesmas partes”.

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