Economia
Bancos brasileiros iniciam operações nos EUA para atender clientes
Bancos e fintechs brasileiras como Nubank, Itaú e XP estão expandindo suas operações no setor financeiro dos Estados Unidos. Segundo especialistas consultados, esta movimentação segue o patrimônio de clientes brasileiros de alta renda que estão internacionalizando seus recursos.
De acordo com analistas, essa estratégia diminui a dependência dos clientes em relação às condições econômicas, políticas e cambiais do Brasil, além de proporcionar serviços em moeda forte para brasileiros que residem nos EUA ou dividem suas finanças entre os dois países.
— Com a oferta de serviços nos EUA, os bancos brasileiros evitam que seus correntistas de alta renda migrem para grandes bancos globais, como JPMorgan ou Morgan Stanley. Para plataformas como o Nubank, que já tem grande presença no Brasil, o objetivo é se transformar em uma plataforma financeira global — explica o professor de mercado financeiro na Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), George Sales.
Recentemente, o maior banco privado do Brasil, o Itaú, anunciou a criação de um banco múltiplo nos EUA chamado Itaú Bank. A instituição já recebeu autorização preliminar do Departamento do Tesouro americano, mas ainda aguarda a aprovação de outras entidades reguladoras como o Federal Reserve.
O Itaú está presente nos Estados Unidos desde 1979, com serviços focados em atacado, private banking e gestão de recursos, e possui a corretora Avenue, sediada em Miami, que permite investimentos no mercado norte-americano e oferece conta internacional em dólar.
O Nubank planeja lançar um banco digital chamado Nubank NA, buscando evoluir de uma plataforma regional na América Latina para uma entidade global. A fintech já recebeu aprovação regulatória e projeta o início das operações para meados de 2027. A cofundadora Cristina Junqueira mudou-se para os EUA para liderar essa nova fase, tendo como foco brasileiros expatriados, imigrantes latino-americanos e, em médio-longo prazo, o público americano.
Quanto à XP, seu CEO, Thiago Maffra, afirmou que a criação de um banco nos EUA é uma etapa natural para apoiar a internacionalização dos investimentos dos clientes. A empresa ainda estuda a melhor forma de atuação, seja com nova licença ou aquisição de banco local, sem prazo definido.
O analista da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, destaca que essa expansão se deve à busca por escala e maior demanda dos clientes por serviços no exterior. A exceção é o Bradesco, que já possui operação consolidada na Flórida desde 2019. Outros bancos brasileiros estão entrando no mercado varejista americano de forma simultânea, aumentando a oferta de serviços como contas correntes, câmbio e produtos financeiros para expatriados e clientes internacionais, com atendimento em português.
Além disso, o BTG Pactual e o Safra possuem presença estabelecida nos EUA, bem como o Banco do Brasil.
George Sales ressalta que, embora os bancos americanos tendam a operar regionalmente, isso não limita o crescimento dos bancos brasileiros, que têm se concentrado em estados com grande população brasileira, como Flórida, Califórnia e Nova York.
A operação do Bradesco nos EUA vem crescendo rapidamente, com ativos sob gestão e número de contas quase duplicando em um período recente, refletindo a demanda por serviços financeiros internacionais.
Por outro lado, existem desafios significativos, como a complexidade para obtenção de licenças, regulações rígidas sobre lavagem de dinheiro e cibersegurança, e altos custos operacionais. O professor George Sales comenta que a concorrência com grandes instituições locais é intensa, e que as vantagens dos bancos brasileiros residem no relacionamento com clientes de alta renda e atendimento em português, enquanto conquistar consumidores americanos comuns será um processo mais árduo.
Em resumo, os bancos brasileiros estão ampliando suas operações nos Estados Unidos para acompanhar seus clientes internacionais, oferecendo uma variedade maior de serviços financeiros, apesar das dificuldades regulatórias e competitivas do mercado norte-americano.

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