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Bolívia prende procurador que investigava Cerimedo
Autoridades da Bolívia capturaram na noite de quarta-feira (30) o procurador-geral do país, Roger Mariaca. Ele estava à frente da investigação contra o operador digital argentino Fernando Cerimedo, acusado por tentativa de feminicídio, enriquecimento ilícito e tráfico de drogas.
Cerimedo, que já foi assessor dos presidentes boliviano Rodrigo Paz e argentino Javier Milei, possui ligações com grupos de direita apoiados por Donald Trump na América Latina. No Brasil, ficou conhecido em 2022 por participar da campanha que questionava o sistema eleitoral do país.
Além do procurador-geral, outras 13 autoridades bolivianas foram presas até a manhã de quinta (1º), incluindo o ex-ministro Eduardo Del Castillo e o procurador de Santa Cruz, Alberto Zeballos, sob acusações de tráfico de drogas e organização criminosa.
Mariaca e Zeballos tiveram seus vistos para os Estados Unidos revogados recentemente pelo governo Trump, sob suspeitas de corrupção e narcotráfico, embora sem provas apresentadas. Após as detenções, o Ministério Público da Bolívia transmitiu ao vivo denunciando que Mariaca e Zeballos foram detidos sem mandado judicial, caracterizando um sequestro.
O ministro boliviano Marco Antonio Oviedo afirmou que Roger Mariaca liderava uma organização criminosa vinculada ao narcoterrorismo no sistema judiciário do país. Vídeos mostraram policiais retirando dinheiro de um compartimento oculto de um veículo relacionado à residência de Mariaca. O ministro também ligou o grupo preso aos protestos que paralisaram a Bolívia por mais de 50 dias recentemente, os quais pediam a renúncia de Rodrigo Paz.
Roger Mariaca foi nomeado pelo parlamento da Bolívia em 2024, durante o governo de Luiz Arce, para um mandato de seis anos. Após a anulação de seu visto pelos EUA, ele sugeriu que a medida era retaliação pelas investigações em curso, especialmente o caso envolvendo Cerimedo.
A defesa de Cerimedo afirma que ele é alvo de uma armadilha política. O operador digital ficou conhecido como “o homem do Maga na América Latina”, referência ao slogan de Donald Trump, segundo a revista The Economist.
Especialistas em política da América Latina destacam que as ações dos EUA na região, incluindo a retirada de vistos, têm motivações políticas mais do que realmente combater o narcotráfico. A professora Camila Vidal da UFSC ressaltou que o tráfico de drogas na Bolívia está infiltrado em vários setores do Estado e que os EUA promovem interesses estratégicos e econômicos na região.
Salvador Schavelzon, especialista em política boliviana, comentou que embora não tenha meios para julgar a operação ou as provas, o narcotráfico está profundamente enraizado em instituições essenciais do país há décadas.
O governo Trump explicou que a suspensão de vistos é parte de uma política para apoiar aliados na região com o objetivo declarado de combater cartéis, através da iniciativa Escudo das Américas, que também serve para conter a influência chinesa na América Latina. O ministro Oviedo confirmou que a ação foi local, porém contou com apoio internacional, incluindo dos EUA e União Europeia.
Caso Cerimedo
Fernando Cerimedo foi preso na Bolívia em agosto e é acusado de tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira, além de ser investigado por tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. No Brasil, ficou conhecido por divulgar sem evidências a fraude nas eleições presidenciais de 2022.
Em 2026, recebeu o prêmio de consultor político hispânico do ano, entregue por Eduardo Bolsonaro na residência de Donald Trump na Flórida. Durante as investigações, descobriu-se uma estrutura na Bolívia usada para manipular redes sociais com robôs, conhecida como uma fazenda de cliques.


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