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Economia

Caixa ultrapassa R$ 1 trilhão em crédito para imóveis pela 1ª vez

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A Caixa Econômica Federal alcançou, pela primeira vez, o montante de R$ 1 trilhão em saldo na sua carteira de crédito imobiliário no segundo trimestre de 2026. Esse valor representa um aumento de 15% em relação ao ano anterior e 4% acima do trimestre anterior.

O crédito imobiliário compõe 69,4% da carteira total de crédito da Caixa, que teve crescimento de 11,9% no último ano, totalizando R$ 1,448 trilhão. A Caixa detém 67,7% do mercado nacional de crédito imobiliário.

O FGTS financiou a maior parte das operações habitacionais do banco público, respondendo por 61,5% (R$ 618 bilhões), com alta anual de 18%. O saldo financiado com recursos próprios, como poupança e recursos livres, chegou a R$ 387 bilhões, um avanço de 10,2%. Esse crescimento foi sustentado pelo aumento de 3,9% nos depósitos de poupança, que somaram R$ 405,6 bilhões, e pelo crescimento expressivo de 21,8% nas Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), totalizando R$ 271 bilhões.

Para o presidente da Caixa, Carlos Vieira, este resultado do segundo trimestre é motivo de comemoração, especialmente considerando o cenário de alta volatilidade. O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões, um aumento de 5,9% em comparação ao segundo trimestre de 2025 e 12,4% em relação ao trimestre anterior.

Segundo Vieira, “todos sabemos que o segundo trimestre deste ano foi um período desafiador para o mercado financeiro, porém a Caixa apresentou números muito positivos.”

No programa Minha Casa Minha Vida, as contratações somaram R$ 73,5 bilhões no primeiro semestre, um aumento de 38% em relação ao ano anterior. A inadimplência na carteira habitacional caiu de 1,60% em março de 2026 para 1,45% em junho.

O vice-presidente financeiro, Marcos Brasiliano, afirmou que a margem financeira bruta cresceu 20,2% em relação ao ano anterior, chegando a R$ 19,664 bilhões.

Brasiliano destacou que “a recomposição dessa margem poderia ser mais rápida se desacelerássemos o crédito e deixássemos de cumprir nosso papel de fomentar o desenvolvimento do país”. Ele também ressaltou o bom desempenho das receitas de serviços, impulsionadas por cartões e seguros, que cresceram 12,9% no período.

Apesar dos resultados positivos, a rentabilidade medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) caiu para 9,16%, uma redução de 2,70 pontos percentuais em doze meses. Essa queda foi influenciada pelo aumento de 97,6% nas despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa, que atingiram R$ 7 bilhões no trimestre.

A administração da Caixa explicou que esse aumento decorre da adaptação às novas regras do Banco Central (Resolução CMN 4.966/21), que exige provisões baseadas em perdas esperadas futuras, e não apenas em perdas atuais.

O índice geral de inadimplência da Caixa, considerando atrasos superiores a 90 dias, ficou em 3,64% no segundo trimestre, alta de 0,98 ponto percentual em relação a junho de 2025, porém houve melhora frente ao índice de 3,71% verificado em março de 2026.

Para o segundo semestre de 2026, Carlos Vieira prevê um momento crucial para consolidar a transformação digital do banco. Foram investidos R$ 2,5 bilhões em tecnologia na primeira metade do ano, alcançando 100% dos colaboradores utilizando inteligência artificial integrada. Conforme o presidente, essa tecnologia tem provocado um impacto significativo na automação e eficiência das operações bancárias.

Esse avanço tecnológico tem impulsionado a captação de clientes digitais, com 5,2 milhões de contas abertas desde junho do ano passado, das quais 42% pertencem à Geração Z. Atualmente, a Caixa atende uma base de 160,4 milhões de clientes.

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