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Comece a cuidar do colesterol desde criança, alerta cardiologista
No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado neste sábado (8), Renato Jorge Alves, vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), destaca que o investimento em prevenção é a melhor forma de evitar problemas no coração.
Em conversa com a Agência Brasil, o cardiologista ressaltou que um estudo divulgado em setembro de 2025 indica que todos devem medir o colesterol aos 10 anos. “Recomendo que todos façam um exame preventivo de colesterol junto com o exame de glicose”, afirmou.
De acordo com Alves, é essencial adotar hábitos saudáveis para que outros fatores de risco não se somem ao colesterol alto, elevando o risco de infarto. Se o exame revelar níveis elevados de colesterol, é importante buscar acompanhamento médico e seguir o tratamento corretamente.
“Não siga médicos que indicam na internet parar o uso de remédios para colesterol, isso é um engano”, alertou. Ele explicou que interromper o tratamento aumenta o risco de complicações. “Assim como no diabetes e hipertensão, o colesterol sobe novamente se a medicação for suspensa.”
Dieta carnívora
A Sociedade Brasileira de Cardiologia adverte que o colesterol elevado está ligado a hábitos de vida prejudiciais não só ao coração, mas ao metabolismo geral.
Alves afirmou que a chamada dieta carnívora — que consome apenas carne e elimina vegetais — não é recomendada para controlar o colesterol. “Isso não tem base científica”, enfatizou.
Uma alimentação equilibrada deve conter proteínas, carboidratos e gorduras nas quantidades adequadas. Dietas somente com carne têm muita gordura saturada, que aumenta o colesterol LDL, o colesterol ruim.
Quem já tem colesterol alto deve evitar o excesso de carne vermelha, pois isso pode elevar ainda mais o LDL. Além disso, pode aumentar o ácido úrico e facilitar a formação de placas nas artérias, aumentando o risco para o coração. “Não é um tipo de dieta recomendado”, concluiu.
Estilo de vida
Para diminuir o colesterol, o ideal é investir em alimentação saudável e praticar exercícios físicos. Deve-se evitar o excesso de gordura saturada, presente em carnes vermelhas, chocolates, frios e embutidos, e evitar também gordura trans, encontrada em alimentos ultraprocessados, como salgadinhos e biscoitos recheados.
Alves destacou: “A pior gordura é a trans”.
Ele explicou que mudanças na dieta geralmente reduzem o colesterol entre 5% e 10%, pois o organismo produz cerca de 70% do colesterol.
Quando os níveis ultrapassam 300 mg/dL, é provável que a causa seja genética. Nesses casos, além dos hábitos saudáveis, é necessário tratamento com medicamentos.
Também é importante praticar atividade física entre 150 e 300 minutos por semana.
Alves frisou que a qualidade do sono afeta o metabolismo, pois dormir mal pode aumentar o colesterol e triglicérides, que causam inflamação nas artérias. “A aterosclerose não é só acúmulo de gordura, mas também inflamação”, explicou.
O estresse pode elevar a pressão arterial e dificultar o controle do colesterol.
Medicamentos e estatinas
Em casos de colesterol alto por genética, o tratamento envolve o uso de estatinas, sempre prescritas por um médico. “É fundamental não interromper o tratamento”, reforçou.
Se apenas as estatinas não alcançam a meta desejada, outros remédios podem ser associados conforme o risco individual.
Alves ressaltou que hoje há versões genéricas das estatinas, tornando-as mais acessíveis. Ele lamentou a difusão de informações falsas sobre esses medicamentos nas redes sociais. “Muitas pessoas e até médicos dizem que colesterol não existe ou que estatinas fazem mal. Isso é falso e geralmente marketing pessoal”, avaliou.
Estudos científicos mostram benefícios das estatinas há mais de 30 anos. “O primeiro grande estudo foi em 1994 e desde então há evidências sólidas de redução de infarto, AVC e morte por doenças cardíacas.”
A desinformação preocupa pois o colesterol alto continua sendo um dos principais fatores para doenças cardiovasculares.
Hipercolesterolemia familiar
Alves ressaltou a hipercolesterolemia familiar, uma doença genética que pode causar níveis muito altos de colesterol já na infância, podendo levar até mesmo a infarto em crianças de 10 anos.
“Nesses casos, o colesterol sobe tanto que pode bloquear as coronárias ainda na infância.” Quanto mais cedo o diagnóstico e tratamento, melhor a chance de vida desses pacientes.
Obesidade
O cardiologista explicou que a obesidade está ligada à síndrome metabólica, que inclui diabetes, hipertensão e aumento da gordura abdominal, afetando órgãos como fígado, rins e pâncreas.
Na hipercolesterolemia familiar, a obesidade geralmente não aparece no início, surgindo depois com fatores relacionados ao estilo de vida.
Fatores de risco
Segundo a Organização Mundial da Saúde, infarto e AVC continuam as principais causas de morte no Brasil e no mundo.
Alves indicou que colesterol alto, diabetes, tabagismo e hipertensão são os principais riscos para essas doenças. A obesidade tem crescido em importância e já é o quinto fator de risco.
A obesidade provoca inflamação crônica que pode desestabilizar placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto.
Doenças inflamatórias crônicas como lúpus, HIV, artrite reumatoide, fibromialgia e doença inflamatória intestinal também podem aumentar o risco cardiovascular, embora com menor frequência.

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