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Economia

Como enfrentar o aumento nas taxas de condomínio e cobranças extras

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A cada mês, abrir a fatura e se deparar com um aumento na taxa de condomínio tornou-se algo comum e preocupante para muitos brasileiros. Esse valor, que no passado cobria pequenos custos de manutenção, agora compete diretamente com despesas importantes do orçamento familiar, como o pagamento do imóvel ou o aluguel.

Dados do Censo Condominial 2025/2026 indicam que, entre o primeiro semestre de 2022 e o mesmo período de 2025, o boleto médio no Brasil subiu de R$ 413 para R$ 516, um aumento de 24,9%. Paralelamente, a inadimplência acima de 30 dias cresceu de 9,72% para 11,95%. Na região Nordeste, os valores são ainda mais altos, com uma taxa média de R$ 522,30 e 13,52% de atrasos nos pagamentos.

Contrariando a crença de muitos moradores, o reajuste na taxa de condomínio não segue índices oficiais de inflação, como o IPCA. Conforme o síndico profissional Wagner Silva, o valor cobrado resulta de um levantamento real dos custos necessários para manter o prédio em funcionamento.

“Não é a inflação que determina o custo do condomínio, mas as necessidades específicas de cada um. É realizado um estudo dos últimos 12 meses de despesas que serve como base, somado às manutenções previstas para o ano seguinte”, explicou Silva.

Entre os principais custos, destacam-se os salários e encargos dos funcionários. Segundo Wagner Silva, além da mão de obra, aumentos nas tarifas públicas, como água e energia elétrica das áreas comuns, elevam consideravelmente os custos diários:

“O aumento nas tarifas e dissídios coletivos impacta diretamente as despesas. Condominios contratam serviços corporativos, cujos reajustes normalmente superam a inflação percebida pelo consumidor final”, complementou.

Prevenção e gestão financeira

Para emergências, é comum que os condomínios arrecadem um adicional de 5% a 10% para o fundo de reserva. Contudo, Wagner Silva alerta para o uso correto deste valor, reforçando que ele não deve cobrir inadimplências.

“O fundo de reserva não pode ser utilizado para sanar atrasos de pagamento. As inadimplências precisam ser previstas no orçamento do condomínio”, frisou.

Em reuniões, uma reação frequente é propor o cancelamento de manutenções para tentar segurar o valor da taxa, o que pode causar prejuízos sérios:

“Manter a manutenção preventiva é cerca de 28% mais barato do que a corretiva. Adiar consertos, como o do elevador ou bombas, além de aumentar riscos de segurança, gera despesas muito maiores no futuro”, alertou Silva.

Para assegurar transparência, o especialista recomenda acompanhar de perto a gestão e implementar mecanismos como auditorias permanentes:

“Sugiro a contratação de auditorias e um conselho fiscal ativo para garantir tranquilidade e clareza aos moradores”, acrescentou.

Aspectos legais

Embora os reajustes elevados gerem insatisfação, a cobrança está amparada pelo Código Civil como um acordo coletivo entre os moradores, segundo o advogado especialista em direito condominial Yuri Oliveira, que também é colunista.

“A taxa condominial é um rateio de despesas aprovado em assembleia. A decisão vale para todos, independentemente do voto ou presença na reunião”, esclareceu Oliveira.

O atraso no pagamento pode acarretar graves consequências jurídicas, incluindo execução judicial e até penhora do imóvel.

“A dívida condominial está vinculada ao próprio bem, podendo ser cobrada judicialmente com rapidez, mesmo que o imóvel seja a única propriedade do morador. Por isso, a inadimplência deve ser enfrentada com prioridade máxima”, alertou Yuri Oliveira.

O advogado também ressalta o direito dos moradores de exigir transparência e prestação de contas antes da aprovação dos valores:

“Os moradores devem solicitar a prestação de contas do ano anterior antes de aprovar o orçamento para o ano seguinte”, recomendou.

Despesas excepcionais e obras necessitam de aprovação específica, com quórum qualificado quando previsto por lei. A taxa extra deve ser direcionada a um gasto específico e não pode ser redirecionada para outras áreas.

“Para reformas significativas, como a portaria, é exigido o voto favorável de 50% mais um dos proprietários, e não apenas dos presentes na assembleia”, explicou.

Planejamento financeiro

Um erro comum, segundo o economista Edgard Lima, é focar apenas no valor do aluguel e desconsiderar a taxa de condomínio ao planejar os gastos com moradia.

“A recomendação é que a soma de aluguel, condomínio, IPTU e taxas essenciais não ultrapasse 30% da renda. Sem esse planejamento, o custo da moradia pode consumir até 40% do orçamento familiar”, alertou.

Edgard Lima enfatiza que muitos são atraídos por preços baixos de imóveis e ignoram o impacto de altas taxas de condomínio no custo total:

“É comum se encantar pelo valor do imóvel e negligenciar a taxa condominial exorbitante. O boleto do condomínio deve ser considerado como parte do custo total do imóvel na decisão de compra ou aluguel”, ponderou.

Ele destaca que, diferentemente de outras despesas variáveis, a taxa condominial é uma despesa fixa e inflexível:

“Há custos em que é possível economizar, como energia ou internet, mas o valor do condomínio não muda ao final do mês”, comparou.

Antes da assinatura do contrato, o interessado deve investigar as condições financeiras e a manutenção do prédio, evitando imóveis com alta inadimplência e problemas estruturais.

“Imóveis com mal gerenciamento financeiro e manutenção deficitária são sinais claros para evitar locação ou compra”, orientou.

Se os custos ultrapassam a capacidade financeira, Edgard Lima sugere alternativas, como alugar o imóvel próprio e mudar para uma opção mais acessível.

“Quando o condomínio compromete o orçamento, uma solução é alugar o imóvel e buscar um lar com custos mais baixos. O espaço para reduzir essa despesa individualmente é pequeno”, concluiu.

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