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Como funcionam as eleições em Israel
As eleições legislativas realizadas na última terça-feira (27) em Israel são vistas como decisivas, pois irão definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que busca mais um mandato em meio a um período de três anos marcado por conflitos.
Veja a seguir uma explicação simplificada do sistema eleitoral israelense:
Distrito único
O parlamento de Israel, denominado Knesset, é formado por uma única câmara com 120 deputados eleitos para mandatos de quatro anos.
A legislação determina que as eleições sejam gerais, nacionais, diretas, igualitárias, secretas e proporcionais.
O Knesset pode ser dissolvido antes do tempo por votação simples da maioria, algo bastante comum no país. Em situações excepcionais, o mandato pode ser prorrogado para além de quatro anos por votação de pelo menos 80 deputados.
Israel funciona como um único distrito eleitoral para cerca de 7,3 milhões de eleitores que votam em aproximadamente 12.000 locais de votação.
Na eleição anterior, em novembro de 2022, a participação foi de 70,6%.
Os cidadãos escolhem diretamente os representantes por meio das listas partidárias.
As cadeiras são distribuídas proporcionalmente conforme a porcentagem de votos obtida por cada lista.
Limiar e redistribuição
Para garantir assentos no Knesset, as listas devem ultrapassar um limite mínimo de 3,25% dos votos válidos, o que assegura quatro cadeiras automaticamente.
A capacidade de partidos menores superarem essa barreira pode influenciar significativamente a composição dos blocos políticos. Caso não atinjam esse limite, isso causa uma baixa considerável para partidos maiores da mesma linha.
Por esse motivo, Netanyahu tem pressionado pequenos partidos de direita a desistirem, argumentando que eles diluem os votos necessários para sua coalizão.
Como o sistema proporcional nem sempre gera a correspondência exata entre voto e assentos, existe uma fórmula matemática complexa que redistribui os lugares vagos, favorecendo, geralmente, as legendas maiores.
Essa redistribuição foi decisiva nas eleições passadas, onde cerca de 300 mil votos — equivalente a 6% dos votos válidos — foram redistribuídos para beneficiar o bloco que apoiava Netanyahu, que conquistou uma maioria confortável de 64 cadeiras.
Fragmentação eleitoral
O eleitorado israelense é bastante dividido entre muitos partidos. Na eleição mais recente, 38 chapas foram registradas, embora duas tenham se retirado depois.
Esse número ultrapassa as 29 chapas apresentadas em 2022.
Partidos tradicionais como o Likud (direita) e o Partido Trabalhista (esquerda) convivem com grupos que representam ultraortodoxos, imigrantes do bloco soviético, sionistas religiosos, além de comunidades drusas e árabes.
Formação do governo: um desafio complexo
A pluralidade de partidos quase sempre impede que qualquer deles alcance a maioria absoluta de 61 cadeiras sozinhos, requisito para formar o governo.
Após a apuração dos votos, iniciam-se as negociações entre as legendas para estabelecer alianças.
O presidente do país, atualmente Isaac Herzog, indica o líder com maior chance de formar coalizão, baseando-se nas recomendações dos partidos.
Em 2021, após quatro eleições em menos de dois anos, Netanyahu não conseguiu formar governo. Naquele momento, Naftali Bennett se tornou primeiro-ministro liderando uma aliança diversa, mesmo tendo obtido apenas seis cadeiras no Parlamento.


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