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Deputado quer explicações sobre bloqueio de acesso de agente da PF nos EUA
Deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) apresentou nesta terça-feira (21) na Comissão de Relações Exteriores da Câmara um pedido formal para convocar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O objetivo é esclarecer a situação envolvendo um policial que teve suas credenciais de acesso negadas nos Estados Unidos, enquanto cumpria missão de cooperação internacional.
O agente que participou da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem na semana passada retornará ao Brasil após o ocorrido.
O requerimento contou com o apoio do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante. Para Lopes, o incidente prejudica a imagem do Brasil e, caso seja comprovado que o policial tentou interferir no sistema norte-americano, isso poderia comprometer a credibilidade institucional, as relações internacionais e o respeito ao país no exterior.
Detalhes do caso
O Departamento de Estado dos EUA acusa o oficial brasileiro Marcelo Ivo de tentar manipular o sistema de imigração, desrespeitando pedidos formais de extradição e prolongando perseguições políticas em território americano, conforme comunicado do governo dos Estados Unidos divulgado na segunda-feira (20).
Uma semana antes, o policial brasileiro teve participação na prisão de Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ele foi detido pelo serviço de imigração americano, ICE, em 13 de abril, e liberado dois dias após. Ramagem havia fugido para os EUA em setembro do ano anterior. A Polícia Federal explicou que a prisão ocorreu dentro de uma cooperação policial Brasil-EUA, já que o ex-deputado é considerado foragido da Justiça brasileira.
Hélio Lopes justifica a convocação do diretor da PF ressaltando que servidores públicos brasileiros que atuam no exterior representam o país e que suas ações refletem na imagem nacional. Segundo ele, “um agente brasileiro com acesso negado nos Estados Unidos não é um caso isolado, mas um episódio que compromete a reputação do Brasil”.
Esclarecimentos do diretor da PF
Na quarta-feira (22), Andrei Rodrigues esclareceu em entrevista à Globonews que Marcelo Ivo não foi expulso dos EUA, mas sim teve suas credenciais de acesso a determinados sistemas da unidade onde trabalhava negadas. Por isso, o diretor da PF decidiu que seria prudente o retorno do agente ao Brasil.
“Não houve expulsão do servidor brasileiro. Ele voltou por minha orientação, para que possamos investigar a possível existência de processos formais no Departamento de Estado ou no ICE”, declarou Andrei Rodrigues.
O diretor informou que aplicou o “princípio da reciprocidade” ao revogar as credenciais de um policial americano que atuava em uma unidade da PF em Brasília. Sem as credenciais, o agente perde acesso ao local de trabalho e às bases de dados usadas na cooperação policial entre Brasil e EUA, situação semelhante à do delegado brasileiro em Miami, conforme explicou Andrei.

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