Brasil
Dificuldade na Leitura entre Jovens é a Maior do Século
Adolescentes habituados a usar mais smartphones do que a clássicos da literatura estão apresentando os piores resultados de leitura dos últimos 20 anos, o que está influenciando negativamente a educação em geral, segundo uma avaliação global de estudantes.
O teste de 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avaliou 760 mil jovens de 15 anos em 91 países, indicou que as notas em leitura, matemática e ciências atingiram os níveis mais baixos desde o início da coleta de dados, em 2000.
Em média, os estudantes alcançaram um nível de leitura que, anteriormente, seria esperado de alunos um ano mais jovens, conforme o último relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) da OCDE, divulgado recentemente.
A pontuação máxima de 501 em leitura, registrada em 2012, caiu para 466 em 2024. O teste é considerado uma referência global para avaliar a qualidade da educação e seus resultados são cuidadosamente analisados por governos e educadores.
“O aumento do tempo dedicado a telas e a redução da leitura por prazer têm caminhado juntos com resultados mais fracos”, disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, em entrevista coletiva.
“Também percebemos que os alunos estão lendo de forma apressada, passando rapidamente pelos textos e dando respostas incorretas.”
A queda nas notas de leitura foi mais pronunciada entre estudantes de famílias mais ricas, segundo o estudo.
Além da leitura, as competências em ciências e matemática também mostraram declínio, alcançando seus níveis mais baixos neste século. A pontuação em ciências caiu de 506, alcançada em 2009, para 486, enquanto a de matemática caiu de 502 para 469 no mesmo período.
A região do Leste Asiático apresentou os melhores resultados. Cidades chinesas, Japão, Coreia, Singapura e Taiwan se destacaram com os melhores sistemas educacionais, enquanto Reino Unido e Estônia foram os únicos países fora dessa região a aparecer entre os dez primeiros em leitura, matemática e ciências.
Distrações Digitais
O relatório não sugeriu a proibição de smartphones nas escolas, mas ressaltou que a distração causada por aparelhos digitais está ligada a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais analisados. Mais de 25% dos alunos afirmaram que esses dispositivos atrapalham os colegas durante as aulas de ciências.
Segundo a OCDE, os estudantes passam em média 3,4 horas por dia útil usando dispositivos digitais para lazer e mais três horas para atividades escolares, seja na sala de aula ou em casa.
Dispositivos digitais podem ser úteis para a aprendizagem até certo ponto, afirmou Cormann. Seu uso por mais de cinco horas diárias tende a prejudicar os resultados dos estudantes.
O estudo também apontou que quase metade dos alunos utiliza regularmente chatbots de inteligência artificial para auxiliar nos estudos, mas aqueles que recorrem a essas ferramentas para escrever redações, resumir textos ou pesquisar temas geralmente obtêm notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências, o que equivale a perder aproximadamente um ano de aprendizado.

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