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Digimais tinha supervisão focada em grupo ligado a Edir Macedo
A ascensão do Banco Digimais, uma instituição sob suspeita de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional, ocorreu paralelamente à entrada de executivos vinculados ao círculo empresarial de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador do banco.
Um caso destacado é o de João Luiz Urbaneja. Bispo da Universal, ele assumiu o comando do Banco Renner após Edir Macedo consolidar seu controle sobre a instituição em 2020. Em maio de 2024, João Luiz passou a presidir o Conselho de Administração do Digimais, tornando-se um dos principais alvos da Operação Miragem, deflagrada recentemente pela Polícia Federal.
Outro investigado é Thiago Rodrigues Urbaneja, filho do bispo, que ocupava a presidência executiva do banco. Ambos detinham simultaneamente as posições mais estratégicas na governança da instituição no momento da operação.
João Luiz liderava o órgão responsável por supervisionar e definir as diretrizes da empresa, enquanto Thiago gerenciava as operações diárias. Dessa forma, pai e filho, ligados a Edir Macedo, concentravam as decisões centrais do banco.
Embora não existam evidências de que a Igreja Universal tenha participado diretamente da gestão do Digimais, o envolvimento de executivos próximos ao círculo empresarial de Macedo é frequente tanto na alta administração quanto na trajetória de dirigentes da instituição.
A Operação Miragem também alcançou outros membros da liderança do banco, como João Alves de Campos e Marcelo de Lima Brasil, diretores estatutários que compunham o grupo responsável pelas decisões estratégicas e operacionais.
Em comunicado, o banco declarou que está disponível para colaborar com as autoridades e prestar quaisquer esclarecimentos necessários. A instituição reafirmou seu compromisso com a transparência, conformidade regulatória e total cooperação com os órgãos competentes.
Conheça o Digimais
Fundado em 1981 em Porto Alegre, RS, o Banco Digimais iniciou suas atividades sob o nome Banco Renner, criado pela família homônima. A instituição passou por várias mudanças de controle e, em 2020, foi rebatizada como Digimais, tornando-se uma instituição digital.
Foi nesse ano que Edir Macedo assumiu o controle total do banco, tendo sido acionista minoritário desde 2009 com 40% das ações. Ao assumir o controle integral, renomeou e colocou João Luiz Urbaneja para dirigir o banco.
Após dois anos de gestão, o banco, antes considerado sólido, começou a registrar prejuízos. Em 2022, o balanço revelou um déficit de R$ 740 milhões.
Paralelamente, o Digimais enfrentava disputas e suspeitas relacionadas às suas carteiras de crédito. Desde novembro de 2023, a gestora Yards, que administra um fundo de direitos creditórios, iniciou uma ação judicial contra o banco, alegando falhas nas carteiras oferecidas para participação no fundo.
Segundo a ação, ao menos 22 mil das 54 mil Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) apresentavam problemas de lastro, e outras apresentavam inconsistências significativas que comprometem a cobrança dos créditos.
Em março de 2024, a revista Piauí divulgou denúncias de práticas fraudulentas no Digimais similares às do Banco Master. Uma das irregularidades está sendo investigada na 13ª Vara de São Paulo, em um processo movido pelo fundo EXP1, que acusa o banco da Universal de vender carteiras de crédito falsas no valor de R$ 650 milhões.
Mais recentemente, reportagens indicaram que o banco realizou repasses de cartas de crédito para outras instituições, com inadimplência em torno de 60%.

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