Centro-Oeste
Do campo à mesa: a história do agricultor familiar no DF
Antes de o alimento chegar à mesa dos brasilienses, existe um personagem essencial por trás desse processo: o agricultor. Mais de 10 mil pessoas trabalham diariamente no campo no Distrito Federal. Um exemplo é Francisco Santos de Sousa, que lidera a Família F, produtores de morango em Brazlândia.
Há 20 anos na capital, Francisco iniciou o cultivo de hortaliças com a ajuda da esposa e dos filhos mais velhos. Hoje, a principal produção é o morango. O preparo da terra começa em dezembro do ano anterior. O plantio acontece em março, e a colheita vai de abril a setembro. No ano passado, foram colhidas cerca de 100 mil caixas de morango.
Para Francisco, ser agricultor familiar é motivo de muito orgulho. “Tenho orgulho de ser produtor rural. Poder levar para o mercado verduras fresquinhas colhidas no mesmo dia e garantir alimentos de qualidade para as pessoas é uma satisfação”, relata emocionado.
Segundo o Censo Agropecuário de 2017, mais de 10 milhões de brasileiros estão ligados à agricultura familiar. Eles representam 67% dos trabalhadores do campo, ocupando 80,9 milhões de hectares de terra.
No Distrito Federal, a agricultura familiar é responsável pelo alimento que chega à mesa dos brasilienses. Cerca de 75% dos produtores rurais são agricultores familiares, com destaque para a produção orgânica e o fornecimento de merenda escolar.
De acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), em 2024, esses produtores movimentaram R$ 1,078 bilhão. Os principais produtos são morango, tomate, alface, pimentão e produtos de avicultura como ovos e carne. Foram realizados cerca de 100 mil atendimentos para esses produtores.
Em 2025, o Governo do Distrito Federal investiu mais de R$ 22,7 milhões nas organizações da agricultura familiar para fornecer alimentos às escolas, representando 42,5% do valor repassado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Para o secretário de Agricultura, Rafael Bueno, o papel do agricultor familiar na segurança alimentar do DF é essencial. “Mais de 80% da merenda escolar vem da agricultura familiar, garantindo alimentos de qualidade para as crianças e toda a população do DF. É um mercado muito forte”, afirma.
Desafios
Apesar da importância, os agricultores familiares enfrentam desafios. Francisco ressalta a falta de investimento nas áreas rurais, especialmente na infraestrutura das estradas, que são em sua maioria de terra e frequentemente danificadas pelas chuvas. Isso dificulta o acesso e o escoamento da produção.
A Secretaria de Agricultura informou que em 2025 foram recuperados mais de 1.700 km de estradas rurais, com investimentos focados no programa Caminho da Escola, beneficiando tanto estudantes quanto produtores.
Rafael Bueno destaca que, embora haja avanço na regularização fundiária, ainda é necessária ampliação do crédito para os agricultores e melhoria da disponibilidade de mão de obra, que tem diminuído. Ele destaca a importância da automação para reduzir a dependência da mão de obra.
A Secretaria tem apoiado os produtores com auxílio no preparo do solo, adubação e transporte de insumos, além de promover o Programa de Aquisição de Alimentos para compra diretamente da agricultura familiar, garantindo preço justo e estabilidade para os produtores.
Rafael Bueno reforça que em 2025 foram investidos mais de R$ 70 milhões em compras públicas da agricultura familiar no DF através desses programas, fortalecendo o setor.
Fonte: Com informações Jornal de Brasília

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