Conecte Conosco

Brasil

Entidades recorrem ao MPF e Ministério da Justiça contra óculos inteligente da Meta

Publicado

em

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Coding Rights apresentaram uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF), à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) contra os óculos inteligentes da Meta.

As organizações afirmam que esses dispositivos têm a capacidade de gravar vídeos, capturar fotos e áudio das pessoas próximas ao usuário, muitas vezes sem que elas percebam.

Para essas entidades, isso representa riscos de violência, assédio e violação de direitos, especialmente para mulheres e menores de idade.

Com design da Ray-Ban, os óculos foram lançados no mercado brasileiro no ano passado. Eles possuem uma câmera com resolução 3k e incluem funções de inteligência artificial (IA) que permitem responder perguntas e realizar traduções em tempo real.

O produto ainda oferece integração direta com Instagram e Facebook para compartilhamento instantâneo.

Na denúncia, Idec e Coding Rights solicitam que os órgãos mencionados atuem de forma coordenada para investigar os riscos e possíveis violações dos direitos relacionadas aos óculos inteligentes.

Julia Abad, do Idec, destaca que em um contexto de vigilância constante e oculta, já ocorreram denúncias de invasão de privacidade e de dados, afetando especialmente mulheres, meninas, crianças e adolescentes.

As entidades pedem que MPF, ANPD e Senacon verifiquem possíveis infrações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao Código de Defesa do Consumidor (CDC), além de analisar eventuais violações aos direitos de mulheres, crianças e adolescentes.

O GLOBO buscou contato com a Meta e aguarda resposta.

Segundo o documento, os riscos não são mais apenas teóricos; há casos reais em que mulheres foram gravadas sem autorização em espaços públicos e privados.

Um episódio citado ocorreu em Salvador, onde um ginecologista foi acusado de usar os óculos durante o atendimento a uma paciente.

Proteção de dados

As organizações também resaltam que os óculos possuem uma luz LED que pisca quando a câmera está ativa, porém, essa luz é muito pequena e visível apenas para quem está olhando diretamente para o aparelho.

“Sob a perspectiva do consumidor, a empresa lançou no mercado um produto perigoso, transferindo para aqueles que nem o compraram a responsabilidade de se proteger”, afirmou Julia Abad, do Idec, em comunicado.

Outro destaque na denúncia é que os conteúdos capturados pelos óculos são enviados para os servidores da Meta e podem ser analisados e classificados por prestadores de serviços para o treinamento de sistemas de inteligência artificial.

Investigações internacionais indicaram que trabalhadores terceirizados visualizaram pessoas em momentos íntimos, em banheiros e trocando de roupa, incluindo registros com dados bancários e conversas privadas. Em março de 2026, uma ação judicial relacionada ao tema foi iniciada em um tribunal da Califórnia.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2026 - Todos os Direitos Reservados