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Reino Unido, Austrália e Canadá exigem investigação de Israel sobre ataque fatal a agentes humanitários
Na sexta-feira (21), Reino Unido, Austrália e Canadá qualificaram como “vergonhosa” a decisão das Forças de Defesa de Israel (IDF) de não instaurar uma investigação criminal referente aos ataques aéreos que causaram a morte de sete trabalhadores humanitários da World Central Kitchen (WCK) em Gaza, em abril de 2024.
Funcionários desses três países estavam entre as vítimas do incidente, que envolveu um comboio de veículos de ajuda humanitária e gerou ampla indignação internacional.
Em declaração conjunta, os governos afirmaram: “Essa decisão é insuficiente e vem tardiamente. As vítimas e suas famílias merecem justiça e responsabilização, e seguiremos buscando respostas em nome delas.” Eles ainda destacaram que o ataque à WCK é apenas um dos vários casos em Gaza onde não houve responsabilização.
Os governos ressaltaram os perigos que os profissionais da ajuda humanitária enfrentam na região. “Mesmo com um cessar-fogo delicado, Gaza continua sendo o local mais perigoso para entrega de ajuda humanitária, com 186 profissionais mortos em 2025”, relataram.
Em respostas separadas, alguns países de origem das vítimas manifestaram repúdio. A Austrália, por exemplo, expressou indignação, recordando Zomi Frankcom, uma das vítimas australianas. Os familiares dela criticaram a investigação israelense, classificando-a como um “processo interno opaco” que se encerrou com um breve comunicado isentando os soldados de responsabilidade.
Por sua vez, o embaixador israelense na Austrália, Hillel Newman, defendeu a decisão das IDF. A Polônia, que também perdeu um cidadão no ataque — o voluntário Damian Soból —, cobrou cooperação de Israel para a apuração dos fatos, manifestando grande decepção.
No Reino Unido, o Ministério das Relações Exteriores expressou choque e indignação em nome das famílias de John Chapman, James Henderson e James Kirby, membros da equipe afetada.
Posições da WCK e das Forças de Defesa de Israel
A World Central Kitchen declarou que a movimentação do comboio foi coordenada previamente com as forças militares e que os veículos exibiam claramente a identificação da organização no teto para reconhecimento aéreo. A WCK rejeitou enfaticamente as conclusões israelenses, afirmando que não existiu justificativa para o ataque, considerando a decisão ofensiva e inconsistente com a verdade.
As IDF alegaram que os ocupantes dos veículos foram erroneamente identificados como membros armados do Hamas e que o comboio teria saído da rota combinada. Ainda assim, a averiguação militar concluiu que os comandantes não cometeram conduta criminosa.
Consequentemente, cinco oficiais sofreram sanções administrativas: dois foram afastados de seus cargos e três receberam advertências. Um dos afastados teria anteriormente assinado carta defendendo o bloqueio à entrada de ajuda humanitária em Gaza.
Durante o conflito, Israel limitou severamente o acesso de ajuda humanitária à região, que enfrentou fome em agosto de 2025, segundo especialistas.
No mesmo período, as IDF anunciaram nova postura em outros incidentes, como o disparo contra um veículo que transportava Hind Rajab, uma criança de 5 anos, e sua família em 2024, determinando investigação criminal. Também será apurado o ataque que matou 15 paramédicos em 2025.


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