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Espanha salva 44 imigrantes africanos em barco no Atlântico; mortes na travessia
O Serviço de Salvamento Marítimo da Espanha anunciou na quinta-feira, 3, o resgate de 44 pessoas transportadas em uma embarcação que enfrentou dificuldades no Oceano Atlântico, próximo às Ilhas Canárias.
Os sobreviventes relataram à Cruz Vermelha que mais de 100 pessoas estavam a bordo inicialmente, entre elas mulheres e um bebê. Pelo menos cinco pessoas perderam a vida, e várias outras estão desaparecidas, sendo consideradas vítimas da travessia.
Na tarde de quarta-feira, 2, um avião da agência espanhola localizou uma embarcação em condições precárias à deriva, aproximadamente 120 km ao sul da ilha de Gran Canaria.
Três dos resgatados foram transferidos de helicóptero para um hospital na ilha, enquanto os demais 41 foram levados de barco e desembarcaram com segurança no porto de Arguineguín, recebendo atendimento da Cruz Vermelha.
O porta-voz da Cruz Vermelha, José Antonio Rodríguez Verona, informou que todos os sobreviventes são homens, alguns menores de idade, originários do Mali ou Senegal.
Eles estavam desorientados e desidratados; muitos desmaiaram ou vomitaram ao chegar em terra. Apesar da dificuldade em obter informações claras devido ao estado delicado, os imigrantes relataram terem partido da Gâmbia e ficado à deriva por muitos dias, alguns estimando quase um mês no mar.
Com os suprimentos esgotados, adoeceram após consumir água do mar. Durante a viagem, corpos de pessoas que faleceram eram lançados ao oceano até que os sobreviventes não tinham mais força para isso.
Cinco corpos foram encontrados na embarcação, mas o Serviço de Salvamento Marítimo não conseguiu recuperá-los devido às condições adversas do mar, com ventos fortes e ondas de até 2,5 metros.
Helena Maleno, fundadora da organização Walking Borders, que monitora mortes em rotas migratórias para a Espanha, relatou que 83 pessoas morreram nessa travessia, incluindo três mulheres e um bebê. Ela informou que o barco partiu da Gâmbia 27 dias antes.
A ativista e sua organização são frequentemente contatadas por familiares de desaparecidos e repassam pedidos de ajuda para as autoridades espanholas.
A rota do Atlântico entre a África Ocidental e as Ilhas Canárias é uma das mais perigosas para quem busca chegar à Europa. Apesar da redução no número de chegadas no último ano, milhares de pessoas morreram ou desapareceram no percurso, com diversas embarcações ficando perdidas e à deriva até alcançarem as Américas.

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