Conecte Conosco

Mundo

EUA atacam navio iraniano para pressionar fim da guerra

Publicado

em

O Exército dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (6) que disparou contra um navio petroleiro do Irã enquanto o presidente Donald Trump buscava aumentar a pressão sobre Teerã para negociar o fim do conflito.

Um caça americano acertou o leme do navio no Golfo de Omã, que tentava romper o bloqueio militar imposto pelos EUA aos portos iranianos, segundo o Comando Central dos EUA em redes sociais.

O ataque aconteceu em meio a um cessar-fogo oficial entre Irã e EUA, quando pareciam estar perto de um acordo inicial para terminar o conflito. Trump ameaçou o Irã com novos ataques aéreos caso não haja um acordo, incluindo a abertura do Estreito de Ormuz.

Trump afirmou nas redes sociais que a guerra, que já dura dois meses, pode acabar em breve com a retomada dos embarques de petróleo e gás natural, hoje interrompidos. No entanto, isso depende da aceitação do suposto acordo pelo Irã, cujos detalhes não foram divulgados pelo presidente.

Negociações avançam

A Casa Branca acredita estar perto de um acordo preliminar para finalizar a guerra, segundo o portal Axios. Ainda não há confirmação oficial, mas as propostas incluem suspensão do enriquecimento de urânio pelo Irã, a suspensão das sanções americanas, liberação de fundos iranianos congelados e reabertura do Estreito de Ormuz para navegação. A Casa Branca não comentou as perguntas sobre o acordo em potencial.

Trump comentou nas redes sociais que sua suposição de que o Irã aceitaria os termos pode ser otimista. Ele alertou que, se o Irã recusar, ataques aéreos de maior intensidade poderão ser lançados.

Um cessar-fogo instável está em vigência desde 8 de abril. O Paquistão acolheu conversas presenciais entre o Irã e uma delegação dos EUA chefiada pelo vice-presidente J. D. Vance, mas não houve acordo.

Visita à China

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, realizou sua primeira visita à China desde o início da guerra, antes da visita programada do presidente Trump a Pequim para uma cúpula nos dias 14 e 15 de maio com o presidente chinês Xi Jinping. Essa seria a primeira viagem do presidente dos EUA durante seu segundo mandato a China desde 2017.

O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, destacou em vídeo a urgência de um cessar-fogo, ressaltando que o conflito tem causado graves perdas ao povo iraniano e impactado a estabilidade regional e global.

Em entrevista à mídia estatal iraniana em Pequim, Araghchi comentou que sua visita abordou o Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e as sanções. Ele afirmou que o Irã ganhou reconhecimento internacional após o conflito, demonstrando suas capacidades e força.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, expressou esperança de que a China reforce a necessidade do Irã liberar o controle do Estreito. Trump exige grande redução do programa nuclear do Irã.

O Ministério das Relações Exteriores da China declarou que valoriza a promessa iraniana de não buscar armas nucleares, mas reconhece seu direito ao uso pacífico da energia nuclear.

Impacto no transporte e preços do petróleo

Cem navios mercantes permanecem presos no Golfo Pérsico, aguardando passagem pelo Estreito de Ormuz. Os EUA anunciaram abertura de rota segura no estreito em 4 de maio e afundaram seis embarcações iranianas que ameaçavam navios comerciais. Contudo, Trump suspendeu a operação Projet Liberdade para avaliar possibilidade de acordo.

Um navio do Grupo CMA GGM foi atacado e sofreu danos durante a travessia do Estreito, com feridos entre a tripulação, que receberam cuidados médicos.

Segundo Kaho Yu, chefe de energia da empresa Verisk Maplecroft, os preços do petróleo e o transporte marítimo só devem normalizar após o risco de ataques diminuir. Empresas como a Hapag-Lloyd relatam prejuízos semanais de cerca de US$ 60 milhões por causa do fechamento do Estreito, por conta de custos extras de combustível e seguro.

Alternativas para outras rotas são limitadas, segundo a Hapag-Lloyd.

Dois navios mercantes americanos já atravessaram a rota protegida pelos EUA com segurança, confirmaram as empresas Crowley-Stena Marine Solutions e Maersk.

O preço do petróleo Brent, referência internacional, caiu para cerca de US$ 100 por barril na quarta-feira, após alta no começo da semana. Ainda assim, está acima dos cerca de US$ 70 por barril que valia antes do conflito.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados