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EUA vão isolar economicamente o Irã como nunca antes

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Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, anunciou na quinta-feira uma ameaça severa contra o Irã, prometendo um isolamento econômico “como o mundo nunca viu”. Essa postura representa um endurecimento das ações americanas, após indícios em agosto de um acordo para reabrir a passagem pelo Estreito de Ormuz.

Essa escalada verbal ocorre enquanto o conflito, iniciado no fim de fevereiro com a ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica, está próximo de completar seis meses.

“Será uma combinação de isolamento econômico sem precedentes”, afirmou Bessent em entrevista ao canal conservador Newsmax, sem revelar detalhes adicionais. Ele também destacou que o bloqueio contínuo no Estreito de Ormuz impedirá o tráfego de qualquer mercadoria nos portos iranianos.

Em um contraste claro, no começo de agosto, o mesmo Bessent mencionava um possível acordo iminente com Teerã para reabrir essa rota estratégica para o comércio global de combustíveis. O presidente Donald Trump chegou a declarar que o Irã buscava um acordo, o que gerou otimismo nos mercados, com alta em Wall Street e queda nos preços do petróleo, apesar da estagnação das negociações.

Em junho, foi assinado um protocolo de entendimento entre as partes, mas ele desmoronou em julho. Desde então, Trump tem encontrado dificuldades para chegar a um consenso diante das rígidas exigências do governo iraniano.

Para Trump, qualquer acordo precisaria garantir a abertura total do Estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear iraniana. No entanto, sua estratégia agora parece focar mais na pressão econômica do que no enfrentamento direto das armas nucleares.

Ponto crucial de conflito

O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial antes da guerra, permanece como o principal ponto de conflito. Atualmente, a passagem está obstruída pelo Irã, que exige autorização para que navios a utilizem e pretende, futuramente, cobrar taxas de serviço, posição rejeitada pelos Estados Unidos.

Com esta mudança de abordagem, as armas nucleares, que foram o principal motivo público do início do conflito, ficaram em segundo plano.

Na quinta-feira, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou à emissora Fox News que a prioridade número um é garantir preços baixos para petróleo e gás para os americanos, seguida do objetivo de impedir que o Irã obtenha armamento nuclear.

Bessent descreveu a estratégia americana contra o Irã como uma combinação de asfixia financeira e bloqueio físico, comparando a situação com as experiências de Cuba e Venezuela. Ele ressaltou que Venezuela sofreu colapso imediato após imposição de bloqueios similares.

Embora no início da semana Trump tenha declarado que um acordo para reabrir o Estreito era iminente, a diplomacia americana está paralisada e o governo aposta no impacto econômico para forçar o Irã a ceder.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, criticou os Estados Unidos por erros de cálculo relacionados às falhas de inteligência, citando como exemplo a guerra contra o Irã e a nova estratégia equivocada sobre o Estreito de Ormuz.

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