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Fim do cessar-fogo de 60 dias entre Irã e EUA nesta segunda (17)

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O acordo firmado pelo presidente Donald Trump dos Estados Unidos em Versalhes, em junho, estabeleceu um prazo de 60 dias para encerrar o conflito com o Irã e negociar um acordo sobre o programa nuclear iraniano. Este prazo vence nesta segunda-feira, 17, e as partes continuam distantes.

As negociações, quando ocorrem, giram em torno da reabertura do Estreito de Ormuz e do fim do bloqueio americano ao Irã, ambos previstos no acordo temporário. Não há sinais de concessões sobre o controle do estreito, tampouco de negociações aprofundadas sobre o aspecto nuclear. Os EUA enfrentam dificuldades para encerrar o conflito iniciado junto a Israel.

Conceder o controle do Estreito de Ormuz ao Irã significaria reconhecer derrota e permitir que ele dominasse uma rota marítima internacional vital, pela qual passava um quinto do petróleo e gás comercializados globalmente antes do conflito.

O conflito impopular poderia esgotar os recursos militares avançados dos EUA, abalar a economia mundial e aumentar os preços dos combustíveis às vésperas das eleições legislativas americanas. Assim, ambos os lados têm permanecido firmes, aguardando que o outro ceda, mas nenhum abriu mão ainda.

Fracasso do acordo provisório

O memorando de entendimento de junho previa a suspensão das operações militares e um prazo de 60 dias para um acordo definitivo que encerrasse o conflito e resolvesse a disputa nuclear.

O acordo previa a reabertura do Estreito de Ormuz, atribuindo ao Irã um papel indefinido na gestão do tráfego, com possibilidade de cobrança de taxas após o prazo estipulado. O Irã aproveitou essa brecha para reivindicar controle sobre a hidrovia.

Logo após a assinatura, o Irã começou a atacar embarcações que cruzavam uma rota próxima à costa de Omã, supervisionada pelos militares dos EUA para evitar o controle iraniano. Os Estados Unidos retaliaram, e o Irã atacou países árabes aliados dos EUA. O bloqueio americano foi restabelecido, e ambos acusam o outro de violar o acordo.

Enquanto isso, um cessar-fogo no Líbano permanece, mesmo com tropas israelenses ocupando o sul do país, parte do acordo de integridade territorial previsto.

Autoridades iranianas declararam ter interrompido negociações em junho, embora reconheçam intermediários ativos. Trump afirma que as conversas seguiram, com avanços pontuais.

O Paquistão, mediador essencial, afirmou esperar uma extensão do prazo e reforçou esforços para aproximar as partes.

Exigências e estratégias

O Irã divulgou recentemente demandas para reabrir o estreito, incluindo o fim do bloqueio dos EUA, retirada de forças americanas próximas e indenizações pelos danos causados pela guerra iniciada em fevereiro.

Mesmo assim, o Irã pretende controlar o estreito, possivelmente cobrando tarifas via acordo com Omã, rompendo com o modelo de via aberta e gratuita existente antes do conflito.

Os houthis, aliados do Irã, atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho, ameaçando outra via comercial vital usada para aliviar a pressão sobre o cerrado Estreito de Ormuz.

Trump rejeitou as exigências do Irã, afirmando que o país deve indenizar pelos prejuízos da guerra, e sustenta que os EUA controlam aquele corredor marítimo. Sua estratégia aposta na pressão econômica, com bloqueios e sanções para forçar o Irã à rendição.

A guerra e o isolamento prejudicaram gravemente a economia iraniana, com alta inflação e possível reavivamento de protestos reprimidos duramente.

O fluxo pelo Estreito de Ormuz caiu drasticamente após o acordo temporário, e os preços dos combustíveis e produtos associados provavelmente continuarão a subir conforme o impasse segue, afetando além da região do Oriente Médio.

O tempo corre contra ambos os lados neste delicado cenário internacional.

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