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Flávio Bolsonaro quer falar em audiência nos EUA sobre tarifaço

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitou participar de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir o novo pacote de tarifas direcionadas ao Brasil. Ele pediu cinco minutos para se apresentar na sessão planejada para 6 de julho, representando o Senado Federal e como pré-candidato à Presidência.

Aliados de Flávio Bolsonaro indicam que ele irá argumentar pela suspensão das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e defender o sistema de pagamento Pix, em resposta às críticas feitas pelo governo Trump sobre suposta concorrência injusta.

Em junho, o USTR finalizou uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite a imposição de medidas contra países com práticas comerciais consideradas desleais. A investigação abordou temas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais no Brasil.

O prazo para decisão sobre as medidas termina por volta de 15 de julho, uma semana após a audiência. O governo Lula optou por não inscrever representantes para a sessão, que será divulgada em breve pela comissão responsável.

Uma pesquisa Genial/Quaest recente mostra que a maioria considera Flávio Bolsonaro ligado ao pacote de tarifas americanas. Enquanto 47% acreditam na afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o envolvimento de Flávio, 35% concordam com a defesa de Flávio Bolsonaro de que pediu para que Trump não aplicasse as tarifas.

Além disso, 46% apoiam a visão de Lula de que as tarifas são uma retaliação ao Pix, e 36% dão crédito à explicação de Flávio de que a ação americana é motivada por declarações de Lula contra os Estados Unidos.

A família Bolsonaro tem vínculos com a ala direita do governo Trump desde antes da eleição de Jair Bolsonaro em 2018, fortalecidos no contexto do julgamento da suposta trama golpista. Eduardo Bolsonaro se mudou para os EUA em 2023 e tem atuado em oposição ao governo brasileiro ao lado de empresários alinhados à direita americana. Recentemente, Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por tentativa de coação no processo sobre a tentativa de golpe de Estado.

Flávio Bolsonaro, nomeado pelo pai para concorrer à presidência, intensificou contatos e viagens a Washington. Desde o anúncio das tarifas pelo governo dos EUA, ele tem sido alvo de muitas críticas nas redes sociais, muitas delas associando-o diretamente à ameaça tarifária. Enquanto perfis governistas reforçam essa ligação, apoiadores de Flávio tentam desconstruir a narrativa.

O que Flávio Bolsonaro pretende dizer nos EUA

Em comunicado ao Escritório do Representante Comercial dos EUA, Flávio Bolsonaro afirma ter discutido o assunto diretamente com o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio.

Seu discurso vai se posicionar contra as tarifas propostas, defendendo uma solução negociada para os problemas indicados na investigação americana. Ele sustenta que as tarifas não eliminariam as práticas questionadas e poderiam gerar resultados contrários ao esperado.

Flávio vai propor a suspensão imediata das tarifas e o início rápido de negociações bilaterais sobre as seis áreas de preocupação dos EUA, destacando que se posiciona contra as tarifas e qualquer medida que afete o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, em nome dos consumidores e produtores dos dois países.

Ele reforça que seu objetivo não é solicitar concessões, mas restabelecer uma parceria histórica justa e recíproca entre Brasil e Estados Unidos, indicando que as tarifas prejudicariam exportadores brasileiros, importadores e consumidores americanos e beneficiariam o governo atual do Brasil.

Flávio Bolsonaro responderá ponto a ponto às constatações da investigação, que incluem temas como Pix, medidas anticorrupção e desmatamento ilegal, apresentando argumentos contra algumas ações do governo brasileiro e sugerindo soluções construtivas.

Ele afirma que a distância entre a posição do Representante Comercial dos EUA e a de um governo brasileiro mais reformista é menor do que em relação ao atual governo.

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