Economia
Governo acompanha riscos do ‘Super El Niño’ no campo
O governo federal está atento aos possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño no agronegócio. As ações focam em auxiliar produtores rurais com medidas preventivas e conter possíveis aumentos nos preços dos alimentos. Também está prevista a revisão do orçamento destinado ao seguro rural.
A atenção do governo ocorre diante da previsão de um “Super El Niño” que pode impactar negativamente a produção de grãos na safra de 2026/27. A meteorologia indica que o fenômeno será intenso entre julho e setembro, o que aumenta as chances de ondas de calor, secas e chuvas fortes, prejudicando o plantio que inicia em setembro.
Recentemente, o Ministério da Agricultura criou um grupo de trabalho para analisar os efeitos do El Niño. Este grupo tem a tarefa de identificar regiões e culturas vulneráveis, propor estratégias de proteção para os produtores e preparar um plano de ação detalhado, incluindo o papel do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Além disso, o grupo funcionará como um comitê de crise para apoiar as decisões ministeriais e possíveis ajustes no orçamento para enfrentar o fenômeno. Uma fonte indica que o seguro rural precisará de reforço urgente para minimizar riscos climáticos.
Há uma preocupação especial com o orçamento do seguro rural, que sofreu um corte significativo neste ano, mas pode ser reajustado conforme as análises do grupo. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, explicou que o seguro rural será tratado separadamente do Plano Safra para avaliar melhor os impactos do El Niño e garantir a segurança dos produtores frente às dificuldades financeiras e às variações climáticas.
Campos destacou também o impacto inflacionário do El Niño, aliado ao aumento no custo dos fertilizantes com a crise do Oriente Médio, que pode pressionar os preços dos alimentos. O agronegócio representa mais de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), tornando esses impactos preocupantes para a economia.
Antes mesmo dos efeitos do fenômeno, o grupo de alimentos e bebidas já contribui para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que chegou a 3,45% até junho, aumentando a preocupação com o custo dos alimentos.
No âmbito da agricultura familiar, o Ministério do Desenvolvimento e Agricultura Familiar busca recursos para formar brigadas de incêndio em assentamentos, principalmente na Região Norte, com financiamento do Fundo Amazônia, conforme informou a ministra Fernanda Machiaveli.
Machiaveli também discute a ampliação do estoque de produtos agrícolas para controlar variações de preço, embora a legislação atual só permita alocar recursos para estoques em situações emergenciais. Atualmente, cerca de 800 mil toneladas de alimentos estão armazenadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) também é monitorado, pois registra aumento nas indenizações durante eventos climáticos adversos. Apesar disso, o orçamento do programa permanece confortável, segundo o diretor do MDA, José Henrique Silva, que ressalta a necessidade de acompanhamento constante dos efeitos do El Niño.
O Proagro é um seguro rural que protege pequenos e médios agricultores contra eventos como climas extremos, pragas ou doenças, isentando-os de pagar financiamentos em caso de sinistros, com custo assumido pela União. O programa faz parte do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e tem estado sob escrutínio devido ao aumento do orçamento e denúncias de fraudes.
Por fim, a equipe econômica do governo também considera os riscos do Super El Niño nas previsões macroeconômicas. O Ministério da Fazenda revisou a expectativa de inflação para 2027 de 3% para 3,5%, devido à possibilidade de impactos climáticos severos e ao aumento dos preços dos fertilizantes, que podem pressionar os preços dos alimentos ainda neste ano.

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