Economia
Guerra no Irã eleva preços, não gastos do governo, afirma Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta sexta-feira que o aumento dos preços observados no país, que tem preocupado o Banco Central, é resultado dos efeitos da guerra no Oriente Médio e não apenas da política fiscal adotada pelo governo federal. Segundo ele, o conflito bélico afeta diretamente os valores dos combustíveis e limita a produção global de fertilizantes, gerando dificuldades no fornecimento, inclusive para os agricultores brasileiros.
“Quando o Banco Central brasileiro fala sobre preocupação com os preços e inflação, não é apenas pela questão fiscal, é também por causa da guerra no mundo todo. Não são apenas os bancos centrais brasileiros, mas de várias partes do mundo que reconhecem o impacto do conflito nos preços e decidem aumentar os juros para controlar a inflação”, explicou em entrevista à Rádio Metrópole Salvador. Durigan ainda acrescentou: “Não é o governo que está gastando, é a guerra promovida pelos Estados Unidos no Irã, com apoio do bolsonarismo, que está causando a alta dos preços no país”.
O Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, para tentar controlar a inflação, que atualmente tem a meta de 3%. Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que a inflação permanece pressionada pela demanda aquecida da economia, o que justifica os juros elevados, atualmente em 14%. O BC também demonstrou preocupação com medidas governamentais que incentivam o consumo. Sobre a guerra, o Copom afirmou estar atento para avaliar se o impacto nos preços de itens imediatos, como os combustíveis, se espalhará para outros setores.
Durigan reiterou que o governo deve focar na questão dos juros. Ele destacou que o país não enfrenta uma crise fiscal ou da dívida no momento, mas que os juros altos dificultam a vida das pessoas. Além disso, o ministro sinalizou a necessidade de avançar na redução da jornada de trabalho.
“Não estamos frente a uma crise fiscal ou de dívida. O problema são os juros altos, que oneram as pessoas. Antes de falar do Estado ou das empresas, é preciso pensar nas pessoas. Os juros do cartão de crédito são abusivos e precisam ser combatidos. Os juros cobrados em crediários, muitas vezes por fintechs, também requerem atenção. Este tema, junto com o fim da escala 6×1, será um dos nossos focos nos próximos anos no Brasil”, concluiu Durigan.


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