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Guiné-Bissau nega aprovação de estudo de vacina em bebês com apoio dos EUA

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O governo da Guiné-Bissau rejeitou oficialmente a autorização de um estudo controverso que visa monitorar os efeitos da vacinação contra a hepatite B em 14 mil recém-nascidos. A pesquisa, que segundo o The Guardian seria financiada pelo governo dos Estados Unidos e entidades privadas, teria avançado após membros de um comitê ético dinamarquês receberam informações de que as autoridades da Guiné-Bissau haviam autorizado uma versão atualizada do projeto.

No entanto, o ministro da Saúde do país, Quinhin Nantote, afirmou que essa autorização jamais foi concedida.

— O ministério não aprovou os testes conforme apresentados nas publicações atualmente em circulação — declarou Nantote em coletiva de imprensa na terça-feira (13).

Segundo o ministro, as autoridades ficaram surpresas ao saber das notícias atribuindo ao país o aval à pesquisa. Em resposta, ele convocou uma reunião emergencial com representantes do Bandim Health Project, do comitê local de ética, do Instituto Nacional de Saúde Pública e do Programa Ampliado de Imunização para discutir o assunto.

O propósito principal do estudo não seria avaliar a segurança ou eficácia da vacina contra hepatite B, mas sim acompanhar indicadores considerados não específicos, como mortalidade geral e mudanças no desenvolvimento neurológico, comparando grupos de recém-nascidos sujeitos a diferentes esquemas de vacinação.

Conforme a proposta, metade dos 14 mil bebês receberia a vacina ao nascer, e a outra metade teria a imunização atrasada em seis semanas.

A hepatite B é comum na Guiné-Bissau, e a infecção na infância pode causar graves e permanentes consequências.

Defesa da pesquisa por Robert F. Kennedy Jr.

O estudo ganhou destaque por ser apoiado por Robert F. Kennedy Jr., Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA e conhecido opositor ferrenho das vacinas.

Kennedy elogia trabalhos dos dinamarqueses Peter Aaby e Christine Stabell Benn, responsáveis pelo Bandim Health Project, que investigam possíveis efeitos das vacinas para além da proteção contra doenças específicas.

O estudo chegou a ser aprovado de forma acelerada por um comitê ético dinamarquês na semana anterior, porém quatro membros renunciaram após o processo devido a questões éticas. Para permitir a aprovação, as regras do comitê precisaram ser alteradas, pois estudos clínicos randomizados não estavam originalmente sob sua competência.

Alguns membros questionaram a suposta autorização da Guiné-Bissau e exigiram documentos que comprovassem o aval local, mas não receberam tais informações.

Negativa do governo e dúvidas sobre a pesquisa

A recusa do governo guineense coloca em dúvida a continuidade do estudo. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA informou que o estudo não teve aprovação. Ainda não está claro se Washington manterá o financiamento da pesquisa.

Controvérsias e críticas

Pesquisadores criticam a proposta por considerar antiético atrasar a vacinação contra hepatite B em recém-nascidos para testar hipóteses sobre efeitos não específicos da imunização.

BK Titanji, pesquisadora da Universidade Emory, afirmou que o estudo é eticamente inaceitável e elogiou a Guiné-Bissau pela contestação.

Ela ressalta que tal pesquisa requer alta avaliação ética, por envolver recém-nascidos, uma população muito vulnerável em um país com recursos escassos. Para Titanji, deveria ser feita na Dinamarca, onde a incidência da doença é baixa e há ampla capacidade de acompanhar os participantes.

Além disso, questionamentos foram feitos sobre trabalhos anteriores dos pesquisadores, pois análises encontraram poucos resultados estatisticamente significativos. Charlotte Strøm declarou que a falta de rigor metodológico compromete a validade científica.

Os principais pesquisadores não responderam aos questionamentos sobre a suposta autorização ou escolha da Guiné-Bissau para a pesquisa.

Financiamento e apoio internacional

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) teria reservado US$ 1,6 milhão para o estudo, complementado por recursos privados. A Guiné-Bissau já havia questionado o projeto e solicitado auxílio do Africa CDC para avaliá-lo. O ministério afirmou que o estudo estava suspenso ou cancelado.

Em comunicado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ofereceu suporte para ampliar a vacinação neonatal contra hepatite B no país.

Importância da vacinação

Hepatite B é uma infecção viral que pode causar doenças graves do fígado.

A vacinação é a principal forma de prevenção, especialmente fundamental para evitar a infecção em crianças.

Colette Delawalla, pesquisadora e fundadora da organização Stand Up for Science, enxerga a rejeição da pesquisa como uma defesa da soberania da Guiné-Bissau frente a pressões externas.

Ela destacou também o baixo custo para garantir a vacinação de recém-nascidos, estimado em cerca de US$ 13.200 por ano, o que garantiria as doses necessárias para todos os bebês nascidos no país.

— Todas as partes envolvidas devem colaborar para assegurar que cada recém-nascido na Guiné-Bissau receba a vacina contra hepatite B logo ao nascer — enfatizou.

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