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Hantavírus em cruzeiro: transmissão é rara, explica especialista
A aglomeração a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius provavelmente facilitou a transmissão do hantavírus entre as pessoas, um modo de transmissão pouco comum para esta doença, causada pela exposição a roedores infectados, declarou à AFP o infectologista Vincent Ronin.
Casos anteriores de transmissão entre pessoas
O principal modo de contágio é o contato com excrementos de roedores selvagens que contaminam ambientes fechados, como porões e galpões, especialmente durante obras ou limpezas onde partículas são inaladas.
De forma excepcional, alguns casos de transmissão entre pessoas foram identificados com a cepa ‘Andes’, peculiar da América do Sul, incluindo casos a bordo do navio.
Esses casos ocorreram em situações muito específicas, com contato próximo e contínuo entre pacientes e cuidadores hospitalares enquanto os primeiros estavam altamente contagiosos.
Como ocorre essa transmissão humana?
Embora o hantavírus esteja presente globalmente, é uma doença relativamente rara, contabilizando algumas dezenas de milhares de casos mundialmente.
Os dados científicos são limitados em comparação com doenças como gripe ou covid-19.
A transmissão de pessoa para pessoa acontece via vias aéreas, mas exige condições muito específicas de proximidade, aglomeração e fragilidade do indivíduo exposto, além do convívio comum a vírus respiratórios.
Possível contaminação dos passageiros
As investigações ainda estão em andamento, mas é possível que uma fonte comum, como roedores presentes no navio, tenha sido responsável pela transmissão.
Em ambientes confinados, com pouca ventilação, corredores estreitos e passageiros mais idosos e vulneráveis, como em navios, as condições para uma transmissão entre pessoas podem ocorrer.
Tratamentos disponíveis
Atualmente, não há tratamento específico ou vacina contra o hantavírus. Alguns testes foram realizados em determinadas cepas, mas a eficácia ainda não é comprovada para todos os vírus dessa família.
Portanto, o tratamento foca no manejo dos sintomas, fornecendo cuidados aos pacientes conforme o agravamento do quadro clínico para favorecer a recuperação.
Período de incubação e letalidade
O período de incubação varia de uma a seis semanas e é importante garantir ausência de sintomas nesse intervalo.
A letalidade é significativa para uma doença infecciosa, variando de 10% a 50% dependendo da cepa viral, além da qualidade do atendimento médico e do sistema de saúde disponível.
Atenção aos passageiros
A situação é coordenada pela Organização Mundial da Saúde, especialmente por envolver cidadãos de diversas nacionalidades.
Os principais desafios são a evacuação dos pacientes para atendimento hospitalar rápido e a condução de uma investigação epidemiológica rigorosa, garantindo vigilância e diagnóstico precoce dos sintomas entre os contatos.
Após um período de isolamento, passageiros assintomáticos poderão retornar para suas casas com segurança.
Possibilidade de surto
Alguns passageiros possivelmente foram expostos ao vírus antes de embarcar na Argentina.
O país não relatou nenhuma situação anormal de transmissão ou surto desde a saída do navio, indicando que o ocorrido está provavelmente relacionado às condições específicas do confinamento em cruzeiro.
Assim, trata-se de um modo de transmissão pouco comum, ocorrido em circunstâncias muito particulares.

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