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Ibovespa cai quase 4% na semana com incerteza global e eleitoral

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A aversão ao risco em nível global, causada pela ausência de uma solução para o conflito no Oriente Médio e pelas narrativas conflitantes entre os Estados Unidos e a China, afetou negativamente o Ibovespa, levando a uma retirada de investimentos da renda variável brasileira desde a abertura desta sexta-feira (15). Durante a tarde, houve desconforto adicional devido à declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou que a divulgação das conversas dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto banco Master, não impactará sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Esta foi a quinta semana consecutiva de queda, com o Ibovespa registrando uma desvalorização acumulada de quase 4%.

Em um dia marcado pelo vencimento de opções sobre ações, o Ibovespa encerrou em baixa de 0,61% (aos 177.283,83 pontos), após alcançar uma mínima de 175.417,25 (-1,65%) e uma máxima de 178.340,52 pontos (-0,01%), ambas durante a manhã. O volume financeiro atingiu R$ 32,2 bilhões, impulsionado pela alta de 7,5% da Minerva, após divulgar um balanço sólido, e pelo avanço de 2% das ações preferenciais da Petrobras, beneficiadas pelo aumento de 3% no preço do petróleo, que tentou compensar as perdas de Usiminas (-7%), Hapvida (-6%) e Cosan (-5%).

O movimento de queda do Ibovespa está alinhado com a saída de R$ 6,45 bilhões de investidores estrangeiros registrada em maio até quarta-feira (13).

Segundo Isabel Lemos, gestora de renda variável da Fator Gestão, “Nem todos os dias registraram saída de recursos. O fluxo acumulado no ano ainda é positivo em R$ 50 bilhões, porém o cenário geopolítico mais complexo do que o esperado tem levado a uma realização de lucros. Os hedge funds internacionais lucraram tanto com o rali da Bolsa quanto com a aposta no real.”

O conflito no Oriente Médio gera preocupação do ponto de vista inflacionário, devido à alta do preço do petróleo — que ultrapassa os US$ 101 por barril em Londres e Nova Iorque — resultando em juros altos por mais tempo. Além disso, “essas recentes incertezas provocam aversão ao risco, motivando uma redução na exposição ao mercado de renda variável. As taxas de juros, tanto nominais quanto reais, também pressionam as empresas”, acrescenta Isabel Lemos.

Outro ponto de incerteza é a relação entre os presidentes Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China). Apesar dos sinais de que a relação entre as duas potências deve permanecer estável ao menos até o encontro previsto para setembro, declarações divergentes e impasses sobre a questão de Taiwan mantêm o relacionamento bilateral tenso.

Para Marcos Vinícius Oliveira, economista e analista da ZIIN Investimentos, o episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro ainda deixa resquícios. A notícia do contato entre ambos “frustrou a expectativa de que poderia surgir uma vertente mais fiscalista para o mandato de 2027, justamente em um momento no qual as eleições começaram a indicar maior competitividade”.

O economista ressalta que, além de Flávio, atualmente não há outro nome forte na ala direita para as eleições. “E já estamos em maio. Então, até que a ala direita possa se reorganizar em torno de um novo nome…”, observa, destacando que o cenário é de mais incerteza, tanto no âmbito doméstico quanto global, levando gestores a evitarem posições antes do final de semana.

Em entrevista à CNN Brasil durante a tarde, Flávio Bolsonaro afirmou que as conversas dele com Daniel Vorcaro não afetarão sua pré-candidatura à Presidência, ressaltando que, por carregar o sangue do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ele irá até o fim na disputa.

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