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Juros Futuros Disparam com Alta nos Mercados de Renda Fixa

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Mesmo com o cenário eleitoral mais confuso e ainda no foco dos investidores, devido a denúncias ligadas a Flávio Bolsonaro e dúvidas sobre sua candidatura presidencial, o principal impacto negativo sobre os juros futuros na última sessão da semana foi o forte recuo dos ativos globais.

As taxas apresentaram alta acentuada durante o pregão, influenciadas pela onda de vendas nos mercados internacionais de títulos. O temor inflacionário, intensificado pela percepção de que o conflito no Oriente Médio permanecerá sem solução a curto prazo, somado à instabilidade política no Reino Unido e à decepção com a falta de avanços na reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, geraram um ciclo negativo nos mercados de renda fixa. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos públicos de longo prazo subiram 10 pontos básicos, com a taxa do título de 30 anos ultrapassando 5%.

Localmente, mesmo com os impactos remanescentes do episódio chamado de “Flávio Day 2.0” sobre os prêmios, as taxas intermediárias e longas ultrapassaram 14%, atingindo os níveis mais elevados do ano. Na semana em que as taxas subiram mais de 30 pontos básicos na quarta-feira, impulsionadas por uma reportagem que revelou pedido de recursos de Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de uma cinebiografia sobre seu pai, a curva a termo apresentou inclinação: o vencimento para janeiro de 2027 teve alta de cerca de 20 pontos básicos em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. Já os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2029 e 2031 avançaram quase 70 pontos.

No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2027 aumentou de 14,18% para 14,235%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 13,976% para 14,165%, enquanto o DI para janeiro de 2031 cresceu de 14,057% para 14,25%.

Sem perspectiva de resolução para o conflito entre Estados Unidos e Irã, os preços do petróleo dispararam novamente. Segundo Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, esse cenário tem tornado os bancos centrais globais mais cautelosos. Referência para a Petrobras, o contrato futuro do petróleo Brent para julho fechou em alta de 3,35%, cotado a US$ 109,26 por barril, acumulando uma valorização semanal próxima de 8%.

Se o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado e os estoques comerciais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) continuarem a se esgotar no ritmo de abril, as reservas podem atingir níveis críticos até o fim de junho, alertou Hamad Hussain, economista de clima e commodities da Capital Economics. Ele acrescentou que isso poderia levar o Brent a alcançar preços recordes e demandar cortes mais bruscos e prejudiciais na demanda por petróleo.

Com base em dados anteriores, uma redução mensal de aproximadamente 100 milhões de barris nos próximos dois meses indicaria preços médios do Brent entre US$ 130 e US$ 140 por barril em junho, segundo Hussain.

Quanto ao cenário bilateral, a reunião recente entre os presidentes dos Estados Unidos e da China não resultou em avanços significativos nas relações geopolíticas ou comerciais. Como consequência, setores relacionados a inteligência artificial e tecnologia apresentaram maiores quedas nas bolsas globais.

No âmbito doméstico, o The Intercept Brasil divulgou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria controle sobre os recursos captados para o filme “Dark Horse”, que retrata a vida de seu pai. Por sua vez, Flávio Bolsonaro afirmou em entrevista à CNN Brasil que seu irmão não recebeu dinheiro do banqueiro Vorcaro.

Em um dia negativo para a curva de juros, as taxas continuaram a subir após esses acontecimentos. Além disso, o IBGE informou que o setor de serviços sofreu uma queda de 1,2% entre fevereiro e março, abaixo da expectativa dos analistas, que previam uma redução de 0,6%.

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