Brasil
Ibovespa fecha em leve queda, mesmo com recuperação no final
Seguindo a tendência cautelosa global, o Ibovespa sofreu mais um dia negativo devido à volta dos investidores estrangeiros ao setor de tecnologia em bolsas como Nasdaq e S&P 500, que recentemente bateram recordes, além de outros mercados emergentes com foco nesse setor, como Seul. Em Nova York, os índices S&P 500 e Nasdaq pausaram a sequência de recordes, encerrando o dia em queda de 0,07% e 0,51%, respectivamente.
No Brasil, a B3 conseguiu reduzir suas perdas no final da sessão, fechando em queda de 0,17%, aos 176.975,82 pontos, distante da mínima do dia e próxima da máxima e da abertura. O volume financeiro atingiu R$ 24,2 bilhões nesta segunda-feira. No acumulado do mês, o índice cai 5,52%, limitando o ganho anual a 9,84%.
Felipe Miranda, economista e ex-CEO da Empiricus, comenta que o mercado reflete a persistente aversão a risco em um contexto global marcado pela pressão nos juros de longo prazo, preocupações fiscais em países como Japão e Estados Unidos, e alta do petróleo devido às tensões no Oriente Médio e incertezas no Estreito de Ormuz.
Ele complementa que este ambiente eleva o receio de inflação duradoura, fazendo o mercado ajustar suas expectativas em relação a cortes de juros tanto no exterior quanto no Brasil, com previsões de flexibilizações monetárias mais restritas e até possibilidade de aumentos em algumas economias desenvolvidas. A ideia de que o Brasil se beneficiaria fortemente da demanda global por commodities e energia enfraqueceu após resultados corporativos abaixo do esperado, enquanto o setor de tecnologia voltou a atrair capital para mercados avançados, especialmente nos EUA.
No meio da tarde, o Ibovespa chegou a renovar suas mínimas abaixo de 176 mil pontos, quase rompendo a marca de fechamento de 20 de março, o menor nível desde 22 de janeiro. Os maiores recuos ficaram com CSN Mineração (-9,32%), CSN (-4,21%) e MBRF (-3,50%), enquanto Copasa (+3,48%), Hapvida (+3,05%) e PetroReconcavo (+2,71%) registraram ganhos.
O petróleo encerrou o dia em alta, sustentado por preocupações sobre a oferta global diante das negociações tensas entre EUA e Irã e da insegurança quanto à rápida reabertura do Estreito de Ormuz. Em Nova York, o WTI para junho fechou com alta de 3,33%, a US$ 104,38 o barril, e o Brent elevou-se 2,6%, a US$ 112,10.
Após o encerramento dos pregões em Londres e Nova York, a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de recuar em um ataque ao Irã programado para terça-feira reduziu o nível de risco global, favorecendo diversas classes de ativos, inclusive ações da B3. Apesar da alta da Petrobras (ON +2,66%, PN +2,13%), o Ibovespa foi pressionado por papéis importantes como Vale (ON -2,00%) e setores financeiros, com Banco do Brasil (ON -1,35%) liderando as perdas.
Alison Correia, analista e cofundador da Dom Investimentos, destaca o conhecido ditado de Wall Street – ‘venda em maio e afaste-se do mercado’ – que se confirma com a queda acumulada e a valorização do câmbio durante o mês passado.
Igor Monteiro, CEO da EqSeed, ressalta que o mercado percebe uma desaceleração na queda da inflação, limitando os cortes previstos na taxa Selic ainda este ano, especialmente diante da alta do petróleo e das revisões negativas do Banco Central para 2026 em relação à inflação e juros.
Eduardo Levy, economista e sócio da LB Endow Consultoria, observa uma crescente correlação entre mercados globais e geopolítica, que influencia diretamente os juros longos nos EUA, agora acima de 5%, repetindo padrão da crise de 2007-2008. Ele comenta que a inflação continua em alta, apesar dos resultados corporativos de tecnologia terem ajudado a sustentar os índices acionários nos EUA.

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