Mundo
Juiz espanhol ordena julgamento e apreensão do passaporte da esposa de Sánchez
Um tribunal na Espanha decidiu que a esposa do primeiro-ministro Pedro Sánchez deve enfrentar um julgamento por corrupção e teve seu passaporte apreendido para impedir que saia do país, conforme despacho judicial divulgado neste sábado (20).
Essa decisão intensifica a série de escândalos judiciais envolvendo a família e o círculo próximo do líder de esquerda, colocando em risco a estabilidade de seu governo minoritário e delicado.
Recentemente, também foi aberta uma investigação sobre um suposto caso de influência indevida envolvendo seu predecessor socialista, José Luis Rodríguez Zapatero, uma figura importante da esquerda espanhola e aliada próxima de Sánchez.
O caso contra sua esposa, Begoña Gómez, está relacionado à criação de uma cátedra na Universidade Complutense de Madri, que ela co-dirigia, e às suspeitas de uso inadequado de fundos públicos e contatos pessoais para favorecer interesses privados.
O juiz responsável, Juan Carlos Peinado, solicitou que Gómez entregasse seu passaporte e comparecesse às autoridades duas vezes por mês até a conclusão do processo, conforme a decisão anunciada no sábado.
O tribunal informou que avisará todos os pontos de passagem de fronteira e aeroportos civis e militares para garantir o cumprimento dessas medidas. A data para o julgamento ainda não foi marcada.
O partido socialista (PSOE) rapidamente respondeu nas redes sociais, defendendo a inocência de Begoña Gómez com a hashtag #YoConBegoña.
“Begoña Gómez é inocente e vem sendo alvo de perseguição judicial e política há dois anos. A decisão de hoje representa mais um passo neste processo, configurando um escândalo democrático insustentável. Eles não vão nos intimidar”, escreveu a legenda.
Em abril, o juiz havia aceitado formalmente as acusações contra a esposa de Sánchez por peculato, tráfico de influência, corrupção e apropriação indevida de recursos.
Segundo o juiz, a cátedra serviu como um meio para o desenvolvimento profissional privado da investigada.
A investigação começou em abril de 2024, após uma denúncia apresentada por um grupo anticorrupção vinculado à extrema direita.
Depois que o caso se tornou público, Sánchez se afastou temporariamente de suas funções oficiais para avaliar a continuidade no cargo.
Tanto Sánchez quanto Gómez, de 55 anos, negam as acusações e afirmam não haver irregularidades.
O chefe do governo socialista considera que o caso faz parte de uma campanha da direita para enfraquecer seu governo minoritário, que depende de acordos instáveis em um parlamento fragmentado.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login