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Papa pede união e paz em visita à Espanha

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O Papa Leão XIV pediu neste sábado (6) o fim das divisões e simplificações desnecessárias no primeiro dia de sua visita à Espanha, focada na migração, um assunto que tem gerado debates acalorados.

Ele também agradeceu o compromisso da Espanha com a paz e o respeito ao direito internacional. O chefe do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, teve desentendimentos com o presidente americano, Donald Trump, e com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, devido a conflitos no Irã e em Gaza, respectivamente.

Leão XIV, que tem nacionalidade americana e peruana, foi alvo de críticas de Trump por sua postura contra a guerra.

O Papa lamentou que sua mensagem de paz seja vista por alguns como ingênua e por outros como provocativa, durante um discurso no Palácio Real em Madri, onde foi recebido pelo rei Felipe VI e pela rainha Letizia.

O discurso recebeu muitos aplausos, inclusive de Santiago Abascal, líder do partido de extrema direita Vox, conhecido por criticar a política de acolhida a migrantes da Igreja.

Abusos na Igreja

Durante o voo para Madri, o Papa abordou os abusos sexuais na Igreja, um tema central de sua visita, e anunciou que se reunirá com as vítimas nos próximos dias.

Ele afirmou que os abusos continuam sendo uma ferida dolorosa.

Um relatório recente do Defensor do Povo espanhol indicou que, desde 1940, mais de 200.000 menores podem ter sido vítimas de agressões por parte de religiosos católicos.

O governo de Sánchez e a Igreja espanhola firmaram um acordo para compensar as vítimas após anos de resistência da hierarquia eclesiástica.

Solidariedade com os marginalizados

Na parte da tarde, o Papa visitou um centro da Cáritas para pessoas em situação de rua, criticando a falta de valor que a caridade tem recebido atualmente.

À noite, ele conduziu uma vigília nas proximidades do estádio Santiago Bernabéu, do Real Madrid, com a presença de cerca de 500 mil pessoas, em sua maioria jovens, que o saudaram com cantos e bandeiras da Espanha e do Vaticano.

“Vim com minhas amigas… perturbei para vir”, disse Catarina Escobar, uma madrilenha de 12 anos que frequenta missas semanalmente.

“Ver o Papa é uma oportunidade histórica”, declarou o professor Pablo Fernández, de 28 anos, lembrando que a última visita de um Papa à Espanha foi em 2011, feita por Bento XVI.

Leão XIV encorajou os jovens a se tornarem agentes de transformação, destacando que, mesmo que muitos escolham ver artistas como Bad Bunny, também há aqueles que escolhem acompanhar o Papa, o que é significativo.

Agenda e homenagens

Durante a visita, o Papa realizará várias cerimônias, incluindo uma missa para um milhão de fiéis em Madri, na Praça de Cibeles, no domingo.

Na segunda-feira, será o primeiro Papa a discursar no Parlamento espanhol, falando para os legisladores das duas câmaras.

No dia seguinte, viajará para Barcelona, onde encerrará sua visita com uma missa na Sagrada Família, que é atualmente a igreja mais alta do mundo.

Finalmente, o Papa se deslocará até as Ilhas Canárias, próximo à costa africana, principal ponto de entrada de migrantes irregulares para a Espanha.

Ao lado de Pedro Sánchez, ele encontrará migrantes e fará uma homenagem com flores para os milhares que perderam a vida na perigosa travessia pelo Atlântico para a Europa.

Diferente de outros países, o governo espanhol lançou um plano para regularizar a situação de meio milhão de migrantes sem documentos, principalmente latino-americanos, iniciativa que recebeu críticas dos partidos conservadores como o Partido Popular e Vox.

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