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Julgamento da Chacina do DF está na etapa final em Planaltina

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Os réus Carloman dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves da Silva, acusados dos assassinatos que resultaram na morte de dez membros da mesma família, prestaram depoimento nesta quinta-feira. Na véspera, Gideon Batista de Menezes e Fabrício Silva Canhedo foram ouvidos, enquanto Horácio Carlos Ferreira Barbosa preferiu permanecer em silêncio. Também começou a fase de debates do julgamento, que ocorre no Fórum de Planaltina e deve se estender até o fim de semana.

Os cinco acusados respondem por vários crimes, incluindo homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menores. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) informou que, se condenados, poderão cumprir penas que somam de 211 a 385 anos de prisão, segundo o Código de Processo Penal.

Durante os dias de julgamento, os réus são conduzidos até o tribunal sob escolta policial e ficam lado a lado, mas proibidos de se comunicar.

O crime ocorreu há três anos, envolvendo o assassinato de dez pessoas: Marcos Antônio Lopes de Oliveira, sua esposa Renata Juliene Belchior, os filhos Gabriela Belchior de Oliveira e Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, a esposa de Thiago, Elizamar da Silva, seus três filhos pequenos, Rafael, Rafaela e Gabriel, além da ex-mulher de Marcos, Cláudia Regina Marques, e sua filha, Ana Beatriz Marques de Oliveira. Os assassinatos foram motivados por interesses financeiros.

No interrogatório, Carloman afirmou que atirou acidentalmente em Marcos e que o corpo dele foi levado morto para o cativeiro. Ele descreveu como as execuções foram feitas e a organização interna do grupo, indicando que Gideon e Horácio foram os responsáveis pelos enforcamentos de Renata e Gabriela.

Carloman contou que os enforcamentos ocorreram dentro de um carro. Ele relatou que, após os assassinatos, Gideon se feriu gravemente tentando incendiar o veículo com as vítimas, o que o teria impedido de ser morto. Segundo ele, Gideon e Horácio planejavam eliminar os demais comparsas após a conclusão dos crimes.

Carloman também afirmou que Horácio matou diretamente Thiago, que viu a morte de Thiago com uma corda, e que depois Horácio assassinou Ana Beatriz e Cláudia com uma faca, jogando os corpos na fossa. Ele usou cal para tentar disfarçar o cheiro dos cadáveres na cisterna. Carloman disse ainda que recebeu a promessa de R$ 500 mil.

Carlos Henrique Alves da Silva foi o último a prestar depoimento e negou saber que participava de uma chacina. Disse que sua participação se limitou a um assalto planejado para o Condomínio Entre Lagos, com uma proposta financeira feita por Carloman para render uma vítima e acessar aplicativos bancários. Ele relatou que o grupo se escondeu em um ônibus velho para surpreender Thiago na chácara, e que Horácio fingiu ser vítima para facilitar a imobilização de Thiago. Carlos disse que pegou o celular e cartão de Thiago e entregou a Horácio, acreditando que ele seria liberado em seguida.

A fase de debates do julgamento começou com a acusação apresentando seus argumentos. O assistente de acusação, João Darc, afirmou que todos os envolvidos tiveram papéis definidoss para que os jurados julguem cada um individualmente, classificando o crime como monstruoso. Foi interrompido pela defesa ao chamar os acusados de “reencarnação de Lúcifer”.

O promotor titular do Tribunal do Júri de Planaltina, Nathan da Silva Neto, afirmou que o crime foi planejado meses antes, com detalhes organizados sobre local, recursos, veículos e pessoas. Ele explicou que o caso é mais do que uma chacina, é um familicídio — o assassinato completo de uma família. Nathan exibiu provas e destacou Gideon como o líder do grupo criminoso.

O promotor citou mensagens trocadas entre Gideon e Carloman que contradizem as alegações dos réus de terem sido coagidos a participar. Ele ressaltou a atuação importante e estratégica de Horácio, que chegou a fingir ser vítima para enganar a família, e que se recusou a depor no júri, agindo sob ordens de Gideon.

Outro promotor, Daniel Bernoulli Lucena de Oliveira, disse que o julgamento está abrangendo menos crimes do que deveria e que as motivações financeiras giravam em torno da chácara que não pertencia a Marcos, envolvendo dois milhões de reais.

O promotor Marcelo Leite Borges encerrou a acusação afirmando que as versões dos réus são contraditórias e que não acredita nas lágrimas deles durante os depoimentos. Ele comentou que o pranto pode ser reservado para a prisão, criticando o comportamento de Gideon, que se vangloriou em ver pessoas suplicando pela vida, e afirmou que o maior prazer seria vê-lo preso pelo resto da vida.

No quinto dia, a defesa terá sua vez de se manifestar na sustentação oral. Depois, o julgamento seguirá para a votação dos jurados em sala reservada e, em seguida, o juiz fará a leitura da sentença.

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