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Padre DJ celebra papa Francisco em rave em Buenos Aires

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Jeans, colarinho clerical e terço no pulso: assim se apresentou o padre português Guilherme Peixoto, conhecido como padre DJ, em um evento de música eletrônica na praça central de Buenos Aires neste sábado (18), uma celebração em memória do papa Francisco, um ano após seu falecimento.

Versões techno da trilha sonora de Super Mario e do clássico dos anos 90 “Ameno (dori me)”, que imita canto gregoriano, foram combinadas com trechos dos discursos do papa na Praça de Maio, transformando o espaço político em uma grande festa católica.

Na cabine de som, Peixoto animava milhares de pessoas, com a catedral de Buenos Aires de um lado e a sede do governo do outro.

Seu objetivo é que “a música toque profundamente o coração dos jovens, inspirando-os a voltar para casa com vontade de transformar o mundo”, declarou à AFP antes da apresentação.

Sobre o palco, uma cruz iluminada estava posicionada acima do padre, enquanto um telão exibia uma pomba branca simbolizando o Espírito Santo.

A apresentação começou com o áudio do papa afirmando: “A Igreja não é uma ONG”. Duas horas depois, o padre português de 52 anos finalizou a homenagem com a mensagem do papa aos jovens: “Façam bagunça”.

Intercalando com as encíclicas papais, foi tocada a música “Sólo le pido a Dios”, do músico argentino León Gieco, que foi cantada pelo público, muitos dos quais usavam auréolas iluminadas vendidas em ambulantes por menos de 10 dólares.

Tomás Ferreira, advogado de 25 anos e não católico, elogiou a iniciativa: “É muito positivo que um padre una música eletrônica e religião”. Ele destacou que a religião está se modernizando, o que considera algo bom, já tendo assistido a apresentações do padre em Lisboa em 2023.

Da Guimarães à cabine de DJ

Natural de Guimarães, Peixoto é padre na Arquidiocese de Braga desde 1999. Ele esclarece que suas missas dominicais seguem uma liturgia tradicional.

Seminarista desde os 13 anos, sempre teve ligação com a música, tocando órgão em uma banda de pop-rock junto com colegas do seminário. “Ir à igreja ou a um bar/clube para ouvir música era igualmente normal”, relembra.

No início dos anos 2000, ele realizou noites de karaokê para arrecadar fundos para sua paróquia. Foi nesse período que começou a se aventurar nas mixagens, aprendendo sozinho com vídeos do YouTube e equipamentos adquiridos por ele.

“Aprender a mixar significou também compreender a cultura da música eletrônica, não apenas a organização das músicas, mas toda a experiência e viagem musical que ela proporciona”, relata Peixoto.

Momento decisivo

A pandemia foi crucial para sua trajetória. Com eventos presenciais parados, ele começou a realizar transmissões ao vivo no Facebook, viralizando e ganhando o apelido de “padre DJ”.

“Hoje o techno que toco é mais melódico, diferente do estilo intenso de antes, o que permite transmitir mensagens e pensamentos ao longo do set”, explica.

Essas mensagens são sempre de paz.

Peixoto já se apresentou em cidades como Lisboa, Beirute, México e Rio de Janeiro. Seu momento mais marcante foi em julho de 2024, em Ibiza, onde comemorou 25 anos de sacerdócio diante de milhares de pessoas.

“Estava apreensivo para saber como me receberiam na cabine de DJ, em uma cultura e ambiente de férias totalmente voltados à música eletrônica”, conta.

Porém, o receio foi rapidamente superado. “Senti uma comunhão entre todos, foi um momento muito importante”.

Ele não sabe se estava transmitindo energia ou recebendo toda a força do público, mas acredita ter sido uma combinação dos dois, um verdadeiro ponto de virada.

Essa experiência o motivou a continuar unindo música e fé. “É emocionante ver os jovens juntos na pista de dança, sentindo que estamos todos conectados nessa jornada”.

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