Brasil
Lula assume liderança no combate à corrupção
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, convocou uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (16) com a presença da alta cúpula da Polícia Federal para tratar da quarta fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Lima e Silva esclareceu que a entrevista foi solicitada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Lula.
Na prática, devido ao impacto negativo que escândalos de corrupção causam à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a reeleição, o governo e o PT determinaram que seja evidenciado que o presidente tem tomado medidas eficazes para combater fraudes. O escândalo do Banco Master, envolvendo Daniel Vorcaro, está inserido nessa estratégia.
Com as pesquisas de intenção de voto apontando uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, a campanha enfatiza que as investigações de corrupção foram abertas sob a atual administração, e não no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Wellington Lima e Silva afirmou que a Secretaria de Comunicação, sensível às demandas sociais, sempre prestará informações à imprensa dentro dos limites permitidos pela lei, ressaltando o papel fundamental da imprensa em uma democracia.
A estratégia é que Lula assuma o protagonismo no combate à corrupção que afeta os ‘poderosos’ ou, nas palavras do presidente, os ‘magnatas’. O discurso da campanha enfatiza a luta contra as disparidades sociais, representadas pelos ‘ricos contra pobres’ ou ‘99% contra 1%’.
Pesquisas qualitativas indicam que os recentes escândalos de corrupção têm sido atribuídos ao governo federal, reduzindo a popularidade do presidente.
No mês anterior, Lula caracterizou o escândalo do Banco Master como o ‘ovo da serpente’, associando-o ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Na última terça-feira (14), Lula pediu ao atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que divulgasse a origem da fraude, identificando os principais envolvidos.
Lima e Silva ressaltou que o Ministério da Justiça não pretende fazer sensacionalismo nem ultrapassar os limites legais ao divulgar informações sobre a operação.
A investigação da quarta fase da Operação Compliance Zero é sigilosa, porém o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, tornou pública a decisão que decretou a prisão de Paulo Henrique. Em outro despacho, Mendonça ordenou que o teor das diligências permanecesse secreto e fosse restrito aos delegados responsáveis, sem repassar informações aos superiores hierárquicos.
O ministro justificou que a ação da Polícia Federal insere-se nas iniciativas do governo federal para combater crimes financeiros, e escalou o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, para defender as medidas da administração Lula.
Chico Lucas afirmou: ‘Essa operação está alinhada às diretrizes do presidente Lula para enfrentar o alto escalão e os magnatas do crime, garantindo a independência necessária para a Polícia Federal atuar.’
No Planalto, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, declarou que o governo não vai socorrer o BRB. Ele ironizou a notícia da operação da PF, questionando se teria sido preso o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e afirmou que, no fim, os responsáveis pelos ilícitos serão conhecidos, independentemente de quem sejam.
Na entrevista coletiva, estiveram presentes o diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, e o diretor de Combate ao Crime Organizado, Dennis Calli. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, estava em viagem ao exterior.
Os participantes limitaram-se a apresentar um panorama geral da Operação Compliance Zero e a mencionar dados da decisão relativa à quarta fase da operação.
William Murad afirmou: ‘Algumas partes da operação tiveram seu sigilo levantado, mas temos limitações para revelar detalhes específicos. O foco é a corrupção dos gestores e o esquema de lavagem de dinheiro relacionado a esses atos ilícitos, conectado às fases anteriores e ao conjunto do esquema criminoso.’

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