Brasil
Lula garante inocência de Lulinha e nega proteção governamental
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quinta-feira (27), durante uma sabatina realizada pela TV Globo, que seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, será considerado inocente no inquérito sobre suposto tráfico de influência e corrupção conduzido pela Polícia Federal. Lula ressaltou que, caso seu filho tenha cometido algum erro, não haverá qualquer tipo de proteção por parte do governo.
“Se ele cometeu um equívoco, ele terá que arcar com as consequências; não há outra alternativa. Ele não terá privilégios por ser meu filho. Ele sabe o que deve fazer e eu estou confiante de que será declarado inocente”, afirmou o presidente.
Além disso, Lula afirmou que não interferirá no trabalho dos delegados da Polícia Federal, diferente do que ocorreu no governo de Jair Bolsonaro (PL), quando mudanças na corporação foram feitas para tentar proteger familiares sob investigação.
Sobre as evidências levantadas pela Polícia Federal, Lula classificou como “suposições baseadas em trocas de telefonemas” e fez um paralelo com as acusações que enfrentou na Operação Lava Jato. Ele destacou que a força-tarefa tinha como objetivo impedir sua vitória nas eleições de 2018 e que, ao ser preso, buscou comprovar sua inocência.
“Não há acusação concreta, apenas suposições a partir de conversas telefônicas. Conheço bem essa situação porque já passei por isso. Eu não sou membro do Ministério Público, nem delegado ou juiz, sou presidente da República e pai do Fábio. Se ele infringiu a lei, terá que responder como qualquer cidadão brasileiro”, declarou.
Pressionado sobre o assunto, o presidente acrescentou que o filho “não precisa ser perfeito” para não ser responsabilizado. Ele também mencionou vazamentos de informações pela Polícia Federal a respeito das investigações envolvendo Lulinha.
“A Polícia Federal está conduzindo as investigações e, infelizmente, parte das informações tem sido divulgada na imprensa. Espero que seja realizado o julgamento adequado. Se necessário, ele prestará depoimento e colaborará com os inquéritos. Se for culpado, pagará as consequências; se inocente, será absolvido”, explicou.
A Polícia Federal investiga se Lulinha teria atuado para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde. Antunes é central em um esquema de descontos ilegais bilionários para beneficiários do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). A ligação do filho do presidente com o caso é a relação mantida com a lobista Roberta Luchsinger, associada a Antunes.
Desde o início dos inquéritos da Polícia Federal envolvendo suposto tráfico de influência em contratos governamentais, o presidente tem afirmado que seu filho não será beneficiado pela condição de parentesco. Ao mesmo tempo, confia na inocência do empresário, ressaltando a necessidade de que ele preste esclarecimentos às autoridades policiais.

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