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Economia

Mercado de cannabis medicinal deve faturar R$ 1 bilhão em 2026

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Aos 18 anos, Matheus Cedrim, atualmente com 33, acordou com o lado esquerdo do corpo completamente dormente. O que parecia ser apenas uma noite mal dormida evoluiu para uma sequência de exames e internações, resultando no diagnóstico de esclerose múltipla.

Após anos de tratamentos convencionais, que causavam efeitos colaterais severos e piora na qualidade de vida, a melhora veio de forma inesperada, com o uso do óleo de canabidiol, um dos constituintes da cannabis medicinal.

Matheus utiliza o canabidiol para controlar sintomas da esclerose múltipla. Ele combina o tratamento tradicional com o uso do óleo, o qual não causa efeitos adversos. Hoje, Matheus voltou a praticar esportes e participa de maratonas e triatlos, destacando que a cannabis devolveu sua qualidade de vida.

Progresso regulatório

Desde 2015, a Anvisa retirou o canabidiol da lista de substâncias proibidas, reconhecendo-o como medicamento com utilidade terapêutica e sem risco de dependência. Inicialmente, o acesso era limitado e dependente da importação mediante autorização da agência.

Em 2026, novas regras da Anvisa permitiram o cultivo e produção nacionais da cannabis para uso medicinal e farmacêutico, incentivando a pesquisa e reduzindo custos ao permitir a fabricação local do insumo ativo. Também foi instituído um ambiente regulatório para facilitar a produção supervisionada de derivados da planta.

Expansão do mercado

O mercado da cannabis medicinal vem crescendo rapidamente, tendo movimentado aproximadamente R$ 852 milhões em 2024 e quase R$ 970 milhões em 2025. A expectativa é ultrapassar R$ 1 bilhão em 2026, com o número de pacientes utilizando a cannabis chegando próximo a 7 milhões em alguns anos.

Matheus ressalta que a cannabis não apenas trata sintomas, mas melhora a qualidade de vida de quem faz uso.

Cautela na difusão

O neurologista Luiz Severo destaca que a cannabis deve ser usada com responsabilidade, indicação médica adequada, produtos seguros e suporte científico, evitando o uso indiscriminado.

A cadeia produtiva

Diversos modelos de negócio se consolidam no setor, desde associações de pacientes até empresas importadoras e iniciativas industriais. A Aliança Medicinal, liderada pelo engenheiro agrônomo Ricardo Hazin, é uma associação que começou pequena e hoje conta com cerca de 17 mil associados, adotando cultivo em ambiente controlado para garantir qualidade e padronização dos produtos.

Empresas como a Verdpharm facilitam o acesso a produtos importados, usando processos que preservam a pureza das moléculas da planta. A regulação diferenciada entre países influencia na variedade e aplicações terapêuticas disponíveis.

Perfis e demandas

O canabidiol atua em diferentes áreas, como dor, humor, estresse e inflamação, beneficiando casos desde patologias graves até melhora do sono e desempenho esportivo, ampliando o mercado para além do uso estritamente medicinal.

Desafios de acesso

O acesso ainda é desigual, com preços em farmácias que variam significativamente, mas a produção nacional deve reduzir custos e impactos financeiros públicos com o fornecimento judicial.

Pesquisa e futuro

A Embrapa conduz pesquisas para desenvolver sementes adaptadas ao clima brasileiro, visando manter a qualidade dos compostos da planta. O país está estruturando um novo segmento econômico que integra agronegócio, indústria farmacêutica e ciência.

Ricardo Hazin conclui que, com o avanço da produção nacional, a cannabis medicinal será mais acessível e impactará positivamente mais pessoas.

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