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Milhares de crianças em risco de malária por cortes nos EUA
Os cortes na ajuda internacional, especialmente pelos Estados Unidos, forçaram um programa global de vacinação a reduzir significativamente o fornecimento de vacinas contra a malária na África, colocando em risco dezenas de milhares de crianças, afirmou a responsável pelo programa.
Sania Nishtar, diretora executiva da Gavi, a Aliança de Vacinas, que reúne doadores públicos e privados para ajudar países em desenvolvimento a adquirir vacinas a preços acessíveis, declarou que o programa contra a malária foi o mais afetado pelos cortes.
Os Estados Unidos, que antes financiavam cerca de 25% do orçamento da Gavi, retiraram no ano passado cerca de 1,58 bilhão de dólares, segundo a diretora. Esta organização apoia a distribuição da vacina em 25 países africanos onde a malária é responsável por aproximadamente 600.000 mortes anuais, principalmente entre crianças.
A meta inicial era alcançar uma cobertura vacinal de 85% nesses países até 2030, mas foi reduzida para 70%. Segundo Sania Nishtar, essa redução pode resultar na perda de dezenas de milhares de vidas infantis.
Sania Nishtar explicou ainda que aqueles que já presenciaram uma criança hospitalizada com convulsões causadas pela malária sabem o quão dolorosa e grave é essa situação. Ela também comentou as dificuldades que o continente africano enfrenta para desenvolver a produção local de vacinas, um desafio evidenciado durante a pandemia de covid-19, quando os países desenvolvidos priorizaram suas próprias populações.
Em 2024, a Gavi lançou um programa de subsídios bilionários para apoiar futuros fabricantes africanos de vacinas. No entanto, até o momento, nenhum fabricante conseguiu obter essas subvenções, destacando os obstáculos ainda presentes no desenvolvimento da capacidade vacinal local.

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