Brasil
Ministro diz que formato da redação do Enem pode mudar
A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deverá passar por alterações a partir do ano de 2028, conforme informou o ministro da Educação, Leonardo Barchini, na última quarta-feira (23). De acordo com ele, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está considerando novas maneiras de avaliar as competências de leitura e escrita e já conta com um grupo técnico dedicado a reformular o exame.
Durante o 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, realizado em São Paulo e mediado pelo repórter do GLOBO, Bruno Alfano, o ministro destacou: “O Inep está focado nesta avaliação, buscando meios para aprimorá-la. Diante dos recentes resultados internacionais sobre leitura, há uma tendência do Inep de mudar a forma como se avalia a leitura e a escrita. Portanto, é provável que a redação sofra alterações”.
Leonardo Barchini ressaltou que as mudanças ainda estão em fase de estudo e que um grupo técnico observa experiências internacionais e consulta diferentes setores antes de apresentar uma proposta ao Ministério da Educação. A intenção é implementar um novo modelo em 2028, com planejamento cuidadoso, pois qualquer alteração no Enem deve ser bem avaliada.
O ministro também salientou a importância de ampliar o espaço dedicado à leitura e escrita no exame e mencionou a possibilidade de incluir perguntas abertas e outros formatos de respostas como parte das discussões em andamento.
“Fazer perguntas abertas e outros tipos de questionamentos que estimulem a leitura e a escrita é fundamental. Temos desafios sérios na matemática e na abordagem dos conteúdos que queremos cobrar”, afirmou.
O Inep está considerando modificar a estrutura atual da redação, que hoje é um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas. A ideia discutida é dividir a redação em diversos gêneros textuais e tamanhos variados ao longo da prova, abrangendo os grandes temas das áreas de linguagens, humanas, natureza e matemática.
Segundo o representante da Federação Nacional de Escolas Particulares, Raphael Kapa, presente em reunião com o Inep, as propostas ainda estão no início das discussões, mas visam diversificar os tipos de raciocínio cobrados no exame, que atualmente limita-se a um único tema para a redação.
O Inep declarou que seu objetivo é garantir que, em 2028, o Enem avalie o Ensino Médio alinhado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Política Nacional do Ensino Médio. Até o momento, não há decisões finais definidas sobre o modelo, apenas uma proposta preliminar que será debatida e finalizada até o final do ano.
Essas mudanças fazem parte de um conjunto mais amplo de ajustes anunciados pelo governo federal para o Enem. Em março, um decreto estabeleceu que o exame também deverá avaliar o aprendizado dos estudantes ao término do Ensino Médio, integrando-se ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Essa iniciativa busca usar os resultados do Enem para realizar diagnósticos sobre a educação básica no país e monitorar desigualdades e metas educacionais.
Apesar dessas alterações, o Enem continuará sendo utilizado para ingresso no ensino superior, inclusive em programas como Sisu, Prouni e Fies.

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