Centro-Oeste
Nosso governo, nossa vez
Em uma situação única na política brasileira, o povo voltou às urnas menos de um ano após a eleição de 1989. Em 3 de outubro, pela primeira vez, todas as 27 unidades federativas votaram ao mesmo tempo, embora o presidente Fernando Collor estivesse em mandato até 1994. Além do presidente, governadores, senadores, deputados federais e distritais foram eleitos naquele ano que marcou uma nova fase política.
Figuras conhecidas da política de Brasília disputaram as eleições. Cinco partidos e suas coligações apresentaram candidatos ao governo da capital, buscando ser o primeiro governador eleito pelo voto popular. Entre os candidatos estava Joaquim Roriz, que havia assumido o cargo em 1988 e renunciou para concorrer novamente. Outros concorrentes eram Carlos Saraiva (PT), Maurício Corrêa (PDT), Elmo Serejo (PL) e Adolfo Lopes (PTdoB).
Nas eleições para o Senado concorria também Valmir Campelo, na chapa de Roriz, e outros cinco candidatos. A disputa era intensa, com estratégias de campanha focadas em obras e conquistas para o Distrito Federal. Roriz tinha como principal rival Elmo Serejo.
A participação popular foi alta, com 86,9% dos eleitores votando, um índice maior que a média nacional. Joaquim Roriz venceu a eleição no primeiro turno com mais de 360 mil votos, tornando-se o primeiro governador eleito do Distrito Federal. Na chapa, Valmir Campelo conquistou uma vaga no Senado com ampla vantagem.
A escolha para os deputados federais trouxe nomes conhecidos como Augusto Carvalho, o mais votado, e outros representantes do PRN, PFL, PSDB e PT. Com o Executivo eleito, era tempo de atenção ao Legislativo local, que ainda não tinha autonomia total até 1988.
Joaquim Roriz demonstrou preocupação com a nova legislatura e a Casa Legislativa foi instalada em prédio adaptado da antiga Embrater. A posse de Roriz em 1º de janeiro de 1991 foi marcada por uma forte chuva, que alterou os planos da cerimônia na capital.
Um parlamento para Brasília
As eleições de 1990 também levaram à eleição de 24 deputados distritais, consolidando a autonomia política de Brasília. O Distrito Federal passou a ter representantes eleitos para cuidar dos assuntos locais e representar a população de forma direta. Esse avanço foi garantido pela Constituição Federal de 1988, que estabeleceu os direitos políticos dos cidadãos da capital.
Foram 406 candidaturas registradas, mostrando o interesse da população na estruturação do governo local. Entre os eleitos estava Maria de Lourdes Abadia, que posteriormente assumiria a chefia do Executivo. A ausência de regimento interno inicial dificultou, mas não desanimou os novos parlamentares.
Além de Abadia, outros nomes importantes como Geraldo Magela e Agnelo Queiroz, ambos do PT, iniciaram suas trajetórias no Legislativo local, que ao longo do tempo se firmou como força política relevante para a cidade e região.
Primeiros passos e desafios
A primeira sede da Câmara Legislativa foi improvisada em um prédio no final da Asa Norte. A cerimônia de posse aconteceu no auditório Petrônio Portella, no Senado Federal, simbolizando a transição para uma Brasília autônoma politicamente. O Regimento Interno foi adotado inicialmente com as regras do Senado, até que uma versão própria fosse elaborada.
O primeiro projeto aprovado reforçou a autonomia e a importância da capital para a região, criando a Secretaria de Articulação para o Desenvolvimento do Entorno, que cuidaria dos arredores de Brasília. Também foram definidas regras para os gabinetes dos deputados distritais, constituindo a base administrativa do corpo legislativo.
Nos anos seguintes, parlamentares como Jorge Cauhy se destacaram no cenário local, contribuindo para o crescimento e fortalecimento do governo do Distrito Federal.

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