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Economia

Novo Desenrola pode ajudar a equilibrar renda e consumo e aumentar inflação

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Em um cenário de inadimplência em níveis elevados, as instituições financeiras têm adotado uma postura mais cautelosa na concessão de crédito, o que resultou em um desequilíbrio entre o crescimento da renda das famílias e o consumo.

Especialistas consultados pelo Broadcast, serviço de notícias do Grupo Estado, acreditam que o Novo Desenrola pode restabelecer o equilíbrio entre o alívio no orçamento das famílias e o aumento da demanda por bens e serviços, o que pode levar a uma pressão inflacionária no curto prazo e exigir maior atenção do Banco Central (BC).

O programa alivia o peso da dívida sobre a renda, aumentando a capacidade de pagamento e a renda disponível. Alexandre Albuquerque, vice-presidente e analista sênior da Moody’s Ratings, comenta que isso pode se traduzir em maior consumo ou em uma maior procura por novos empréstimos, dependendo da postura conservadora dos bancos.

Ele ressalta que, apesar de o nome do tomador sair dos registros de inadimplência, a dívida não desaparece, apenas diminui.

Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, observa que o aumento da renda já indica uma tendência de crescimento do consumo e considera o programa desfavorável para o Banco Central, pois pode pressionar a inflação.

Antes mesmo do início do Novo Desenrola, a renda disponível bruta das famílias subiu 11,1% em março, após um aumento de 9,5% em fevereiro, segundo estimativas do Goldman Sachs.

Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para a América Latina do banco, atribui esse aumento a uma política fiscal e creditícia ativa, que mantém o hiato do produto positivo, pressiona a inflação, especialmente a de serviços, e reduz a eficácia das medidas de política monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom), na reunião de abril, destacou como risco o fato de a inflação de serviços ser mais resistente do que o previsto devido a esse hiato do produto.

Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, comenta que, como o programa ainda não está completamente implementado, os efeitos na inflação são mais teóricos, mas aponta o conflito entre os objetivos do governo – estimular a economia via instrumentos fiscais – e o Banco Central, que busca controlar a inflação e as expectativas.

Ele conclui que provavelmente os juros permanecerão em níveis altos por mais tempo, contrariando o objetivo do Novo Desenrola.

Por outro lado, Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, avalia que no curto prazo outros fatores, como o conflito no Irã, a variação cambial e o preço das commodities, particularmente alimentos e petróleo, terão maior influência sobre a política monetária do que o programa.

Ele reafirma que o Banco Central acompanhará os efeitos do programa, que provavelmente serão pequenos.

Enquanto isso, a inadimplência tem alcançado níveis sem precedentes desde o início de 2025. Em março, o número de pessoas com CPF inscrito em cadastros de restrição chegou a 82,8 milhões, conforme dados da Serasa Experian.

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