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ONU alerta sobre crise global de alimentos por bloqueio em Ormuz
O bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode desencadear um impacto grave e sistêmico na cadeia global de alimentos, resultando em uma significativa alta nos preços dos alimentos no mundo inteiro em um período entre seis a doze meses, alertou a FAO nesta quarta-feira (20).
Antes das ações militares dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, cerca de 20% do transporte marítimo global de petróleo transitava pelo Estreito de Ormuz. Atualmente, Teerã impediu o tráfego de petroleiros e navios cargueiros nessa rota.
A FAO ressaltou, em nota oficial, que o bloqueio de Ormuz não representa uma simples interrupção temporária do trânsito marítimo, mas sim o começo de um choque agroalimentar com efeitos sistêmicos globais.
Para mitigar esse cenário, a agência da ONU recomendou adotar rotas comerciais alternativas, moderação nas restrições às exportações, proteção dos fluxos humanitários e criação de reservas estratégicas para amortecer o aumento dos custos de transporte.
Máximo Torero, economista-chefe da FAO, destacou em um podcast recente que é urgente refletir sobre como fortalecer a capacidade de adaptação dos países afetados, aumentando sua resistência diante deste gargalo e minimizando possíveis consequências negativas.
Conforme o levantamento da FAO, o tempo para implementar medidas preventivas eficazes está se esgotando rapidamente.
As decisões que agricultores e governos tomarem nos próximos meses em relação ao uso de fertilizantes, importações e financiamentos serão decisivas para evitar que uma crise global severa dos preços dos alimentos estoure dentro do próximo semestre a um ano.
O índice de preços dos alimentos da FAO, que monitora a variação mensal dos preços internacionais de uma cesta de produtos alimentares comercializados globalmente, registrou aumento pelo terceiro mês seguido em abril, influenciado pelos elevados custos energéticos e efeitos do conflito no Oriente Médio.
O impacto se dá em diversas etapas: aumento dos custos de energia, elevação nos preços de fertilizantes e sementes, redução da produtividade agrícola, consequência no aumento dos preços das matérias-primas e, finalmente, inflação nos alimentos.
Esse quadro pode se agravar com a chegada do fenômeno El Niño, que promete trazer secas severas e alterar padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta, segundo a FAO.
A agência da ONU sugere um conjunto de mais de vinte ações para curto, médio e longo prazo, incluindo rotas alternativas ao Estreito de Ormuz, condições acessíveis de crédito para agricultores e a formação de reservas regionais alimentares.

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