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Operação Escola de Papel investiga ex-secretária por suspeita de desvio de verbas na Educação

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Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil iniciaram na manhã desta quinta-feira a Operação Escola de Papel, destinada a investigar uma organização suspeita de desviar recursos financeiros destinados a reformas de escolas estaduais. Entre os alvos da investigação estão a antiga liderança da Secretaria de Educação do estado (Seeduc), incluindo Roberta Oliveira, ex-secretária da pasta, seu genro e um ex-subsecretário responsável pela infraestrutura. Ao todo, 19 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, envolvendo também um capitão do Corpo de Bombeiros, um policial militar e alguns empresários. O Ministério Público solicitou o bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões em bens dos investigados.

As equipes estiveram na residência da ex-secretária localizada em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Como o imóvel estava vazio, os agentes precisaram arrombar a porta para entrada.

A operação conta com coordenação dos promotores da Atribuição Originária Criminal do procurador-geral de Justiça e da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf) da Polícia Civil. São apurados crimes como peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Nesta quarta-feira, começaram a ser divulgadas reportagens sobre a suspeita de desvio de verbas na Seeduc, envolvendo contratos sem licitação para reformas em escolas durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro. Auditorias e investigações sugerem até a existência de cartel em vários contratos, indicando um esquema de favorecimento em licitações para a execução das obras, com influência política.

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo estadual, responsável pela auditoria dos contratos, calcula que as contratações irregulares possam somar até R$ 1,6 bilhão entre 2023 e 2025.

Saque em espécie de R$ 500 mil

A investigação teve início a partir de informações fornecidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ao MPRJ, que indicavam saques frequentes na ordem de R$ 500 mil em espécie realizados em uma agência bancária em Duque de Caxias. No dia 16 de janeiro, agentes da Ciaf acompanharam a retirada de dinheiro feita pelo administrador da empresa MCK Reformas, contratada para realizar obras nas escolas estaduais. As cédulas estavam em sacola plástica e transportadas em uma caminhonete blindada sob escolta de um policial militar armado. Segundo as autoridades, o policial prestava segurança ao transporte do montante.

Em depoimentos aos promotores e policiais, o empresário afirmou que a empresa recebeu cerca de R$ 6 milhões para aproximadamente 15 obras, porém teria consumido apenas R$ 2 milhões com os serviços. Os outros R$ 4 milhões teriam sido repassados a um intermediário responsável pelas contratações e controle da conta bancária.

Destino dos recursos

Conforme apurado, os valores saíam da Seeduc e eram encaminhados às Associações de Apoio às Escolas (AAEs) — entidades privadas sem fins lucrativos ligadas às escolas, cujos diretores são gestores —, para então chegar nas contas das empresas contratadas para as reformas. Os contratos apresentam sinais de direcionamento e valores acima do preço real dos serviços. Após os pagamentos, a diferença era sacada em dinheiro ou transferida para outra empresa do grupo, que também realizava saques em espécie, dificultando o rastreamento dos valores e o conhecimento de seus beneficiários.

Análises dos processos contratuais e financeiros indicam que a principal empresa envolvida recebeu cerca de R$ 19,8 milhões em recursos públicos somente no ano de 2025, sendo que R$ 8,93 milhões foram sacados em dinheiro.

Os investigadores acreditam que a ex-secretária e o ex-subsecretário ocupavam posições estratégicas para autorizar despesas e liberar recursos. A apuração revelou ainda ligações entre responsáveis pelos saques, transporte do dinheiro e pessoas próximas à antiga administração da Seeduc.

O capitão do Corpo de Bombeiros é acusado de ajudar a ocultar recursos. A investigação aponta que ele abriu e capitalizou empresas, inclusive no exterior, e realizou operações financeiras incompatíveis com sua renda declarada.

Com essa operação, o Ministério Público e a Polícia Civil visam identificar os beneficiários do dinheiro desviado e reunir provas sobre os setores administrativo, empresarial e financeiro envolvidos no esquema.

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