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Vance lidera negociações dos EUA com Irã após novas ameaças de Trump
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, comandará a equipe americana nas negociações com o Irã no Paquistão, conforme informado neste domingo (19) por um representante da Casa Branca. Essa decisão ocorre depois que o presidente Donald Trump renovou ameaças de destruir a infraestrutura de Teerã caso as conversas não tenham sucesso.
Vance dirigiu o grupo americano que participou do primeiro ciclo de diálogo no Paquistão. De acordo com um alto funcionário que pediu anonimato, também estarão presentes o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner.
Trump anunciou que uma delegação estará no Paquistão na segunda-feira (20), país mediador desde o início da crise. Apesar disso, a data das negociações ainda não foi definida. Pouco antes, o presidente afirmou em entrevista ao canal ABC News que o vice-presidente não integraria a comitiva por questões de “segurança”.
As conversações são complexas, mesmo com o presidente americano declarando na sexta-feira que um acordo de paz está “muito próximo” e afirmando que o Irã concordou em entregar seu urânio enriquecido.
Entretanto, o Irã negou a aceitação dessa entrega. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, destacou no domingo que desenvolver um programa nuclear é um “direito legítimo”. “Como o presidente dos EUA pode dizer que o Irã não deve exercer seus direitos nucleares sem dar uma justificativa?”, questionou.
Sem avanços nas negociações que permitam estender o cessar-fogo iniciado em 8 de abril, a trégua poderá terminar ainda esta semana.
O conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e Israel contra o Irã, resultou em milhares de mortes, especialmente no Irã e no Líbano, e afetou negativamente a economia global.
Trump justificou a ofensiva afirmando que o Irã estaria próximo de fabricar uma bomba atômica, o que Teerã nega, alegando que seu programa nuclear é de cunho civil.
O presidente americano ressaltou no domingo que oferece ao Irã um “acordo justo” e ameaçou que, se rejeitado, os “Estados Unidos destruirão todas as usinas elétricas e pontes no Irã”.
Além das dificuldades em alcançar um consenso sobre o programa nuclear iraniano, o conflito também gira em torno do Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, circulava quase 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos.
Como forma de pressão, o Irã bloqueou a passagem durante o conflito e, em resposta, os EUA impuseram um bloqueio naval à região.
Ameaças e tensões
Trump acusou o Irã de violar o cessar-fogo ao realizar ataques no Estreito de Ormuz no sábado. Em sua rede social Truth Social, o presidente adotou seu estilo habitual, que mistura abertura para diálogo e duras advertências.
“Se eles não aceitarem o ACORDO, farei o que for necessário, o que deveria ter sido feito contra o Irã por presidentes anteriores nos últimos 47 anos”, afirmou. “CHEGA DE SER BONZINHO!” enfatizou.
Após mais de um mês de conflito, o Irã anunciou na sexta-feira a reabertura do estreito em sinal de respeito ao cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no Líbano — uma condição essencial para as negociações. Contudo, novamente fechou a passagem no dia seguinte em retaliação ao bloqueio dos seus portos pelos Estados Unidos.
Pelo menos três navios comerciais foram atingidos por tiros no sábado, e segundo o site Marine Traffic, não houve movimentação no estreito no domingo.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos é uma “violação do cessar-fogo” e que aplicar punição coletiva à população constitui crime de guerra e contra a humanidade.
Situação no Líbano
No Líbano, outro foco do conflito, o Exército de Israel informou que permanece presente em uma faixa de 10 quilômetros da fronteira, enquanto espera negociações para um possível acordo.
O cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, grupo xiita pró-iraniano, continua após um mês e meio de conflito que causou cerca de 2.300 mortes e um milhão de deslocados.
No entanto, a insegurança persiste. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu que o exército usará “força total” caso haja ameaça durante a trégua.
Aproveitando a calmaria, as forças libanesas trabalham para reparar rodovias e pontes danificadas pelos ataques israelenses. Muitos moradores, porém, parecem incertos quanto ao retorno definitivo às suas casas.
“Se retornarmos de forma definitiva, tememos perder as vagas na escola onde nos refugiamos”, comentou Hassan, 29 anos, na capital libanesa, expressando o receio de novos bombardeios.

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