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Páginas falsas do Instagram e Facebook gastaram R$ 487 mil atacando governador de SC
O modelo de páginas falsas no Instagram e Facebook, utilizado para impulsionar ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também foi aplicado contra o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). Três páginas gastaram R$ 487 mil em três meses para promover publicações críticas ao chefe do Executivo catarinense, pré-candidato à reeleição.
Seguindo a mesma estratégia revelada anteriormente com sete páginas que injetaram mais de R$ 1,1 milhão em dois meses contra Flávio e Tarcísio, as páginas SC Digital, Bolsonaristas SC e Pátria Catarinense replicaram o padrão. Cada uma com menos de 200 seguidores, movimentou gastos significativos em curtos períodos.
No caso do governador Jorginho Mello, algumas publicações buscam questionar sua representação da direita, afirmando que ele tenta ocultar vínculos com o governo Dilma Rousseff. Outras postagens criticam ações governamentais, como a proibição do ensino de gênero nas escolas, relacionando essa decisão ao aumento dos casos de feminicídio no estado. Há também conteúdo focado em temas sociais, criticando a atuação do governador no caso do cão Orelha.
A página Pátria Catarinense iniciou impulsionamentos em meados de abril, investindo cerca de R$ 108 mil para ampliar o alcance de 55 publicações, enquanto a SC Digital gastou em torno de R$ 208 mil desde maio. Um dos anúncios da SC Digital alcançou mais de um milhão de impressões, focando o público catarinense e relacionando críticas ao governador sobre a limitação do ensino de gênero e o crescimento dos feminicídios.
Em abril, Jorginho Mello sancionou uma lei estadual permitindo que pais impeçam a participação dos filhos em “atividades pedagógicas de gênero” nas escolas, definidas como aquelas que abordam temas ligados à identidade de gênero, orientação sexual, diversidade e igualdade. A legislação, proposta pela deputada estadual Ana Campagnolo (PL), foi considerada inconstitucional em junho pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que argumentou que diretrizes educacionais são competência da União.
Em um vídeo divulgado pela página SC Digital, é criticado que, em um dos estados com maior número de feminicídios no Brasil, o governador proibiu o ensino de gênero nas escolas, ressaltando que a única maneira eficaz de reduzir tais crimes é educar os homens desde a infância.
Outra publicação da mesma página questiona o aproveitamento político do governador no caso do cão Orelha, que teve grande repercussão após ser encontrado gravemente ferido. Inicialmente o ataque foi atribuído a adolescentes, motivando mobilizações nas redes sociais e discussões sobre a redução da maioridade penal. Posteriormente, o Ministério Público do estado concluiu que não houve agressão humana.
A página Bolsonaristas SC também impulsionou críticas a programas governamentais, como “Estrada Boa” e “Universidade Gratuita”, onde o governo paga mensalidades de estudantes de ensino superior. Algumas imagens reclamam que o governador teria concedido bolsas a “centenas de milionários”, questionando a legitimidade da iniciativa.
Imagens usadas pela Bolsonaristas SC mostram Jorginho Mello ao lado da então presidente Dilma Rousseff em 2009, uma referência controversa que levou o governador a buscar na Justiça a remoção dessas publicações por suposta descontextualização. Em 2014, Jorginho Mello era deputado federal pelo PR (hoje PL), que integrou coligação apoiando a reeleição de Dilma Rousseff. Este tema foi explorado durante a campanha para o governo em 2022 por um adversário político.
A Meta, empresa responsável pelas plataformas, respondeu informando sobre suas políticas de propaganda relacionadas a temas sociais e políticos, reforçando seu compromisso com a transparência e integridade das eleições de 2026, em parceria com autoridades e respeitando resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As páginas mencionadas também apresentam semelhanças na forma de operar, usando legendas neutras para esconder o viés político das publicações. Os textos costumam ser genéricos, convidando o público a comentar, como “Esse tema continua rendendo comentários e reações on-line. Você viu isso?” e “Novos detalhes fizeram esse tema voltar aos debates públicos. Comente aqui!”.
Informações técnicas mostram que a Pátria Catarinense e a Bolsonaristas SC enviaram dados à Meta em 13 de abril, com números de telefone do Paraná e sites criados em plataforma Hostinger no mesmo dia. A SC Digital enviou suas informações em 7 de maio, também com telefone do Paraná e site criado um dia antes. Atualmente, as três páginas não estão mais acessíveis no Facebook.

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