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Presidente do TST esclarece termo ‘vermelhos e azuis’ e responde a Ives Gandra
Luiz Phillipe Vieira de Mello, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), abriu a sessão desta segunda-feira explicando a polêmica expressão ‘juízes vermelhos e azuis’, que ganhou repercussão nas redes sociais. Ele afirmou que a declaração foi uma resposta ao ministro Ives Gandra Filho, que criou essa expressão durante uma palestra destinada a advogados sobre como atuar no tribunal.
“Ninguém pode me acusar de ativismo sem provas. Tenho documentação que mostra a origem dessa expressão, e tenho certeza que o ministro Ives, com sua integridade, não negará que isso começou neste evento,” declarou Vieira de Mello.
Ele reforçou que não é parcial e destacou seus 40 anos de carreira como magistrado, enfatizando que sempre decide baseado na técnica jurídica e na interpretação da Constituição e das leis trabalhistas.
A expressão criada por Gandra visa diferenciar ministros com visões liberais (azuis) e intervencionistas (vermelhos). O ministro Gandra, embora procurado pela imprensa, ainda não comentou o caso. Durante a sessão, Gandra confirmou a divisão interna entre essas duas correntes no TST.
“Após a minha primeira aula nesse curso, alguns acharam que a expressão divide colegas. Se for ofensiva, deixo de usá-la, mas não se pode esconder a realidade: há visões distintas no tribunal sobre o direito do trabalho,” explicou Gandra.
O curso em questão, coordenado por outro ministro, Guilherme Caputo Bastos, teve como objetivo orientar advogados na atuação na mais alta instância da Justiça do Trabalho, com participação de membros do tribunal.
Vieira de Mello reprovou a realização do curso, sobretudo pelo alto custo para advogados, e expressou incômodo em não poder permanecer inerte diante da situação, classificando-a como possível conflito ético.
Na polêmica fala, o presidente se colocou entre os ‘vermelhos’, ligados a uma ‘causa’, e afirmou que os ‘azuis’ estariam motivados por interesses, o que ofendeu alguns membros do tribunal, conforme relatado por Gandra.
Apesar das divergências públicas, os ministros conversaram antes da sessão para esclarecer os pontos. Vieira de Mello anunciou que faria uma manifestação pública assegurando o direito de resposta de Gandra.
Em sua réplica, Vieira de Mello leu trechos do discurso de Gandra em que o ministro compara seu trabalho no TST à atuação durante o Terceiro Reich, com críticas ao ativismo judicial e à interpretação da lei.
“Esse tribunal é plural e sempre teve divergências, mas eram baseadas em ideias, não rótulos. Eu me considero cor de rosa, misturando azul e vermelho,” afirmou Vieira de Mello.
Gandra ressaltou que críticas ao direito do trabalho não devem ser interpretadas como ataques pessoais e mencionou reclamações recentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre decisões do TST.
O embate foi encerrado com a fala da ministra Cristina Peduzzi, que lamentou a discussão acalorada e defendeu a importância da divergência respeitosa em regimes democráticos, criticando as confrontações desnecessárias.

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