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Putin visita Índia para cúpula do Brics em meio a tensões globais
A Índia se prepara para receber os líderes do grupo de nações emergentes Brics neste fim de semana, incluindo os presidentes da Rússia, China e Irã, em uma reunião marcada por diferentes desafios no cenário internacional, como os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia.
O presidente russo, Vladimir Putin, chegou a Nova Délhi na sexta-feira (11) para uma visita que dura três dias. Ele foi recebido pelo ministro de Estado das Relações Exteriores da Índia, Kirti Vardhan Singh, conforme reportado pelas agências de notícias russas Tass e RIA Novosti.
Na mesma data, espera-se a chegada do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. Ambos devem se encontrar com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
O presidente chinês, Xi Jinping, confirmou sua participação, realizando sua primeira visita à Índia desde 2019, fortalecendo o relacionamento entre as duas potências que historicamente tiveram rivalidades.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, optou por não participar para focar na campanha eleitoral de outubro, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nas reuniões de 12 e 13 de setembro.
O grupo Brics foi criado em 2009 para unir as maiores economias emergentes — Brasil, Rússia, Índia, China e posteriormente, África do Sul — buscando uma alternativa às instituições dominadas por países ocidentais, como o G7.
Mais recentemente, o bloco foi ampliado incluindo países como Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que também terá representação na Índia.
Para garantir segurança máxima, Nova Délhi ficará praticamente isolada pelas forças de segurança durante o evento.
O conflito no Oriente Médio, que começou em fevereiro após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, e seus efeitos nos preços do petróleo e gás, devem ser temas centrais nas discussões.
Na Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada no início do mês, o presidente iraniano Pezeshkian pediu que os Estados Unidos retornem ao diálogo, diante de Xi Jinping e Putin.
China e Rússia mantêm relações comerciais com o Irã, mesmo diante das ameaças de sanções americanas.
Essa postura difere da posição de outros membros do Brics, como Arábia Saudita e Emirados Árabes, que são antagonistas do Irã e sofreram retaliações recentes do país islâmico.
Especialistas acreditam que o conflito com o Irã representa um desafio à unidade do grupo. A tensão será evidente durante a cúpula, segundo analistas.
A Índia, anfitriã, possui relações amigáveis com o Irã, mas também busca manter uma relação equilibrada com os Estados Unidos.
O encontro entre Putin e Modi será um teste importante para a continuidade do bom relacionamento entre os dois países. A Índia tem continuado a importar petróleo da Rússia, apesar das sanções dos EUA, que argumentam que essas compras financiam a guerra na Ucrânia.
Modi não condenou publicamente a invasão russa e pediu, recentemente, ao amigo Putin que encontre uma solução para o conflito, pedido que foi bem recebido pelo presidente ucraniano Volodimir Zelensky.
Além disso, a cúpula será uma oportunidade para debates sobre o crescimento econômico da China, que expande suas exportações entre os membros do Brics, especialmente na Índia.
Embora a China queira usar o encontro para impulsionar o comércio entre os países do grupo, alguns podem interpretar essa movimentação como uma tentativa da China de fortalecer seus próprios interesses.

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